Trem de alta velocidade reforça formação de agentes após ataque fracassado
Bruxelas, 18 set (EFE).- A companhia de trens de alta velocidade Thalys anunciou nesta sexta-feira o reforço dos procedimentos e a formação de seus agentes ferroviários para enfrentar situações de crise como a do atentado fracassado de 21 de agosto em um trem que entre Amsterdã e Paris.
Em um relatório sobre a atuação dos agentes no Thalys 9364, onde o suposto jihadista Ayoub el Khazzani embarcou com um rifle, uma pistola e armas brancas, a companhia admitiu que deve “reforçar seus procedimentos e suas ferramentas para que todos tenham os reflexos necessários neste tipo de situações extremas”.
Uma das críticas após o incidente foi que os funcionários do Thalys que estavam no trem, em vez de ajudarem os passageiros a renderem o homem, buscaram unicamente se colocarem a salvo.
Um deles tentou fugir da ameaça e outro abandonou o vagão número 12, onde estava Khazzani, e atravessou correndo o 11 sem avisar os passageiros do risco que havia.
Junto com dois empregados do serviço de restauração e outros clientes, eles se esconderam em um vagão.
O controlador afirmou depois que tinha temido por sua vida e sofrido um ataque de pânico.
No relatório, a diretora geral do Thalys, Agnès Ogier, considerou que, embora prevejam melhorias, os agentes devem “se manter sempre nos limites de suas funções, já que não estão habilitados, formados ou equipado para realizar operações de tipo policial”.
O Thalys considerou que “nas circunstâncias extremas” de 21 de agosto as decisões tomadas foram adequadas, respeitando os procedimentos e também graças às iniciativas tomadas, o que permitiu uma intervenção rápida em Arras, na França, para onde o trem foi levado após o incidente.
“É essa mistura de disciplina e responsabilidade diante do imprevisto, o que permitiu uma intervenção rápida”, disse Ogier.
No entanto, a investigação evidenciou os pontos “frágeis” de Thalys e de seu pessoal. Por isso, Thalys decidiu iniciar uma série de medidas, que incluem a formação dos agentes para a detecção de atitudes anômalas e a gestão de riscos de pânico em situações de perigo.
Além disso, reforçarão a formação dos motoristas para que possam passar de uma linha de alta velocidade a uma clássica.
Outra medida é a elaboração de planos de desvio e de evacuação dos passageiros, assim como a melhora dos sistemas de comunicação entre o pessoal a bordo e o motorista em situações de crise.
Thalys quer também reforçar a formação das equipes que não se deslocam no trem para poder ajudar os clientes em casos de crise e anunciará no trem os números de telefone que podem ser chamados em situações anômalas em função do país em que estão.
Com este relatório, Thalys deu por encerrada sua investigação interna sobre o atentado fracassado e lembrou que o caso agora cabe à justiça. EFE
Comentários
Conteúdo para assinantes. Assine JP Premium.