Três das cinco feministas detidas na China são libertadas

  • Por Agencia EFE
  • 13/04/2015 11h33

Pequim, 13 abr (EFE).- As autoridades chinesas libertaram três das cinco feministas detidas há mais de um mês, já que nesta segunda-feira termina o prazo máximo para a promotoria decidir se apresenta acusações contra as mulheres ou as deixa em liberdade, segundo confirmou nesta segunda-feira à Agência Efe uma das advogadas detidas.

O juiz Wang Qiushi assegurou que Wang Men, Wei Tingting e Zheng Churan foram postas em liberdade, enquanto as outras duas, Wu Rongrong e Li Tingting, “podem ser libertadas” mais tarde.

“Ainda restam quatro horas para o prazo máximo, elas ainda podem ser postas em liberdade”, disse à Agência Efe o advogado, que se encarregou do caso de Wei Tingting.

Wang, no entanto, disse que as feministas não desfrutarão de uma “liberdade total”, já que as autoridades vigiarão seus movimentos.

Hoje completa o prazo determinado na Lei chinesa, 37 dias, para que a promotoria decida se liberta ou apresenta acusações formais contra as detidas, o primeiro passo para um julgamento e geralmente, uma condenação.

À espera de saber o que ocorrerá com Wu Rongrong e Li Tingting, consideradas duas líderes do movimento feminista na China, a comunidade de ativistas recebeu com alegria a notícia da libertação.

“É uma muito bom sinal”, disse à Agência Efe Lu Jun, co-fundador da ONG local Yireping, com quem colaborava a maioria das feministas detidas e cujos escritórios foram revistados pela polícia recentemente na busca de documentos relacionados com as mulheres.

Na opinião de Lu, a campanha de protesto pela detenção das feministas em nível internacional, mas também local, foi crucial para conseguir a libertação hoje de, pelo menos, três delas.

Entre essas campanhas, uma empreendida por um grupo de cinco pessoas anônimas monopolizou maior atenção na China, ao mostrar fotografias em diferentes enclaves do país asiático, na qual aparecem máscaras com o rosto das detidas como se fossem elas.

Junto a outras personalidades, o secretário de Estado e o vice-presidente dos EUA John Kerry e Joe Biden respectivamente, também se somaram neste fim de semana ao protesto.

Biden considerou na rede social Twitter que “os direitos das mulheres e das meninas nunca deveriam ser oprimidos”.

As cinco feministas, de entre 20 e 35 anos de idade, foram detidas entre 6 e 7 de março, pouco antes de repartir adesivos e panfletos contra as agressões sexuais no transporte público em diferentes cidades da China, entre elas, Pequim.

As cinco mulheres estão entre as feministas mais ativas na China, envolvidas em um movimento que foi ganhando peso e importância na sociedade com iniciativas inovadoras como “ocupar” os banheiros de homens para pedir mais direitos para mulheres. EFE