Tribunal anula suspensão de Jean-Marie Le Pen na Frente Nacional

  • Por Agencia EFE
  • 02/07/2015 12h43

Paris, 2 jul (EFE).- O Tribunal de Grande Instância de Nanterre, nos arredores de Paris, anulou nesta quinta-feira a suspensão de militância na Frente Nacional (FN) do fundador do partido de extrema direita francês, Jean-Marie Le Pen.

A direção do partido, hoje liderado por sua filha Marine, decidiu suspender o fundador do projeto político em maio após Jean-Marie dizer que as câmaras de gás da Alemanha nazista tinham sido um “detalhe” da história.

A decisão judicial desta quinta-feira, segundo informou ao canal “BFMTV” o advogado, Frédéric Joachim, significa que a partir de amanhã o patriarca da família Le Pen poderá voltar a usar seu escritório e todos os meios que dispõe como filiado, a menos que a sentença seja revogada em recurso.

O político ultranacionalista, de 87 anos, levou a FN à Justiça porque não concordou com a interpretação que seu comitê executivo fez dos estatutos do partido fundado em 1972, em virtude da qual foi cancelada sua militância.

Após a expulsão de Le Pen pai, a FN se deu um prazo de três meses para suprimir o artigo sobre a presidência de honra, ocupada por ele, e realizar uma reforma mais ampla dos estatutos através de um congresso extraordinário em julho.

A FN informou nesta quinta-feira em comunicado que já soube da decisão do tribunal de Nanterre e anunciou que irá entrar com um recurso. Segundo o partido, a sentença só tem um efeito: “permitir que Jean-Marie Le Pen vote no congresso, cujos resultados serão revelados em oito dias, em 10 de julho”.

O vice-presidente da formação e braço direito de Marine, Florian Philippot, afirmou pouco antes que essa resolução “não muda muita coisa porque ninguém pode pensar que Le Pen, repudiado por sua própria filha, continua falando em nome” do partido.

Na opinião de Philippot, a atual líder da formação “assumiu sua responsabilidade” ao decidir expulsá-lo devido a declarações “inadmissíveis e intoleráveis”, sobre as quais acredita ser “página virada”.

Essa medida gerou uma tormenta político-familiar que levou Jean-Marie a criticar publicamente a filha e o partido e a anunciar que está disposto a criar um novo partido que integre os indignados com a linha política da FN e contribua para restabelecer a continuidade. EFE