Tribunal europeu rejeita recurso do “turista pelado”

  • Por Agencia EFE
  • 28/10/2014 17h37

Paris, 28 out (EFE).- O Tribunal Europeu de Direitos Humanos rejeitou nesta terça-feira o recurso de um cidadão britânico que desejava ter o direito de andar nu pelas ruas, ato que já lhe rendeu penas que, somadas, contabilizam mais de sete anos de detenção.

A corte de Estrasburgo rejeitou os argumentos de Stephen Peter Gough, conhecido como “The Naked Rambler” (o turista pelado), se queixando sobre as “medidas repressivas” aplicadas pela justiça britânica contra ele.

Gough pretendia que a não utilização de roupas fosse reconhecida como parte do exercício da sua liberdade de expressão.

Os juízes disseram que há outras formas de manifestar a opinião sobre a nudez ou de promover um debate acerca desta questão e ponderaram que ele deveria ter dado a possibilidade de “tolerância” aos que discordam.

Gough “insistiu em aparecer nu em ocasiões e lugares indiscriminados”, inclusive em tribunais, áreas comuns das prisões e aeroportos, acrescentaram.

De acordo com eles, a “intransigência” o levou a passar “um tempo considerável” atrás das grades. Seu posicionamento sobre a questão precisa de “um mínimo de seriedade”, pois adotar a postura de “aparecer completamente nu em qualquer lugar e a qualquer momento de forma indiscriminada (…) não suscita adesão em nenhuma sociedade democrática do mundo”.

O homem de 55 anos fez uma longa caminhada pela Grã-Bretanha em 2003 utilizando apenas botas e uma mochila. Detido mais de trinta vezes na Escócia e condenado em diversas ocasiões por escândalo público, ele também compareceu aos tribunais pelado.

Por vezes ele recebeu penas de privação de liberdade relativamente brandas, mas em função de sua reincidência as sanções se agravaram, o que o levou a ter apenas sete dias de liberdade no período de maio de 2006 a outubro de 2012.

O somatório de suas penas contabiliza mais de sete anos de detenção, dos quais passou a maior parte do tempo em regime de isolamento por se negar a permanecer de roupa, mesmo encarcerado. EFE