Turquia diz que voto armênio “danifica seriamente” as relações com a Alemanha

  • Por EFE
  • 02/06/2016 10h05
PAU01 BERLÍN (ALEMANIA) 01/06/2016.- Varias personas sostienen banderas turcas y alemanas durante una manifestación en Berlín, Alemania hoy, 1 de junio de 2016, en apoyo a Turquía y en contra de la resolución que pretende reconocer el genocidio armeno. El presidente de Armenia, Serge Sargsián, llamó a los diputados alemanes a no dejarse intimidar por el jefe del Estado turco, Recep Tayyip Erdogan, y aprobar mañana en el Bundestag (cámara baja) la resolución que reconoce como genocidio las masacres cometidas a los armenios por el Imperio otomano. EFE/Paul Zinken EFE Crise Alemanha-Turquia-Armênia

A adoção no parlamento alemão de uma moção sobre o genocídio armênio “danifica seriamente” as relações entre Alemanha e Turquia, garantiu nesta quinta-feira em Ancara um porta-voz do governante Partido de Justiça e Desenvolvimento (AKP).

“O resultado do voto é um sério dano às relações entre Turquia e Alemanha”, declarou o porta-voz do AKP, Yassin Aktay.

Vários jornais turcos, opositores e próximos ao governo, asseguram em suas versões online que Ancara tem intenção de chamar para consultas seu embaixador em Berlim, Hüsein Avni Karslioglu, por consequência do voto parlamentar alemão.

O AKP prepara, além disso, uma declaração conjunta de três dos quatro partidos do parlamento turco para expressar seu repúdio oficial à resolução adotada em Berlim hoje.

Enquanto isso, os opositores Partido Republicano do Povo (CHP) e Movimento de Ação Nacionalista (MHP) aderirão à declaração do AKP, o pró-curdo Partido Democrático do Povo (HDP) não se unirá, assegura a imprensa turca.

O parlamento alemão aprovou, nesta quinta-feira (2), praticamente por unanimidade, uma resolução que classifica como “genocídio” os massacres cometidos, há mais de um século, pelo Império turco-Otomano contra a minoria armênia.

Apesar das advertências de Ancara de que as relações bilaterais se veriam afetadas pela moção, a votação transcorreu normalmente.

O texto reconhece como “genocídio”, termo que a Turquia rejeita, a morte de 800 mil a 1,5 milhão de pessoas das minorias cristãs da Armênia nos massacres de 1915, assim como a responsabilidade alemã nelas, já que o país era então aliado do Império Otomano no contexto da Primeira Guerra Mundial.

Armênia elogia reconhecimento do genocídio pelo parlamento alemão

A Armênia elogiou, nesta quinta-feira (2), a resolução do parlamento alemão que reconhece como genocídio o massacre de 1,5 milhão de armênios.

“É a valiosa contribuição alemã, não só ao reconhecimento e condenação do genocídio armênio, mas à luta universal contra os genocídios e à prevenção dos crimes contra a humanidade”, disse, em comunicado, Eduard Nalbandian, ministro das Relações Exteriores armênio.

O chanceler se referia tanto à resolução, aprovada por unanimidade pelos parlamentares alemães, como às reiteradas declarações do presidente alemão, Joachim Gauck, em defesa da causa armênia.

“Enquanto Alemanha e Áustria reconhecem sua parte de responsabilidade como antigos aliados do Império Turco-Otomano no genocídio de nosso povo, as autoridades turcas seguem obstinadamente negando o fato irrefutável do massacre armênio cometido por Istambul”, analisa.

O chefe da diplomacia armênia ressaltou que “a comunidade internacional está há 101 anos esperando que a Turquia olhe para sua própria história”.

Com ocasião do centenário do início dos massacres, que a Armênia celebrou em 2015, Yerevan pediu a Ancara que reconheça o genocídio, mas o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, se limitou a expressar suas condolências “aos filhos e netos” dos armênios massacrados.

Erdogan descreveu, então, o genocídio armênio como “tristes eventos” acontecidos durante “a Primeira Guerra Mundial”.

O presidente da Armênia, Serzh Sargsyan, tinha pedido aos deputados alemães de Berlim que não se intimidassem por Erdogan e lembrou que, já no ano passado, Gauck reconheceu o genocídio armênio.