UE dá outra oportunidade à diplomacia na crise ucraniana e adia sanções

  • Por Agencia EFE
  • 09/02/2015 17h10

Bruxelas, 9 fev (EFE).- Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia (UE) aprovaram nesta segunda-feira novas sanções contra russos e ucranianos, mas decidiram adiar a entrada em vigor em função do resultado de negociações que acontecerão esta semana impulsionadas por França e Alemanha.

“Todos achamos que a solução da crise na Ucrânia só pode ser política. É nosso dever dar uma oportunidade a esta tentativa que estamos conduzindo”, disse a chefe da diplomacia comunitária, Federica Mogherini, em entrevista coletiva logo após a reunião do conselho de titulares das Relações Exteriores da UE em Bruxelas.

Segundo Mogherini, “para dar espaço aos nossos esforços diplomáticos nestas horas, para que se desenvolvam com o máximo de oportunidades de êxito, os ministros decidiram unanimemente, unidos, adiar a entrada em vigor das medidas até segunda-feira”.

“Então teremos a oportunidade de avaliar a situação”, acrescentou, ao lembrar que também haverá na quinta-feira uma reunião informal entre os chefes de Estado e de governo da UE em Bruxelas.

Os ministros mantiveram seus planos de engrossar com 19 pessoas e nove entidades a lista de sancionados por causa do ataque na cidade ucraniana de Mariupol no final de janeiro, que deixou 30 mortos e uma centena de feridos.

“É necessário dar uma oportunidade à paz. Se as circunstâncias mudarem parece que a UE deve adaptar, se não sua filosofia, pelo menos seu ritmo”, declarou o ministro de Relações Exteriores e Cooperação da Espanha, José Manuel García-Margallo, em entrevista coletiva.

Segundo García-Margallo, os 28 países comunitários adiaram a aplicação das sanções a pedido do governo ucraniano, que solicitou a Mogherini que “não fizesse nada que pudesse dificultar o sucesso das negociações”.

“Se tivermos boas notícias em Minsk, se houver uma perspectiva para a paz, poderíamos revogar essas sanções ou decidir pela não-entrada em vigor”, destacou.

O ministro espanhol confirmou que a UE continuará “estudando mais medidas de acordo com o agravamento do conflito”, caso fracasse a negociação em Minsk.

“A Espanha quer que a Rússia seja um parceiro estratégico, precisamos dela economicamente, para tornar a Ucrânia viável, para resolver mais rápido o problema sírio, iraquiano ou iraniano, sempre que a Rússia acatar a legalidade internacional”, afirmou García-Margallo.

García-Margallo lembrou, além disso, que a UE já perdeu 21 bilhões de euros em exportações por causa das sanções mútuas impostas entre Moscou e UE.

“O próximo rodízio de sanções da UE seria respondida com outro rodízio de sanções por parte da Rússia que afetaria setores sensíveis”, afirmou.

Perguntado pela possibilidade de entregar armas aos ucranianos, García-Margallo afirmou que o assunto não foi tratado no Conselho, embora o ministro lituano Linas Linkevicius tenha pedido “ajuda à Ucrânia, não só financeira, econômica e politicamente, mas também de maneira militar, com o envio de armas defensivas”.

“As coisas começam a se movimentar”, considerou o titular de Relações Exteriores francês, Laurent Fabius, que, no entanto, pediu prudência.

“O objetivo é conseguir uma redução da tensão e a paz. Não temos certeza do resultado, é preciso continuarmos sendo prudentes, mas trabalhamos nesse sentido”, opinou.

Na opinião de Fabius, “ainda há caminho a percorrer e uma série de questões ainda por resolver”, como quantos quilômetros retirar as armas pesadas da linha de contato e como garantir o respeito à fronteira.

“Tudo isso está sendo discutido, e será a partir do que a reunião de Minsk decidir, a qual esperamos que alcance resultados. Mas as coisas não estão feitas ainda”, respondeu Fabius à pergunta de o que poderia impedir a realização dessa cúpula.

Fabius pediu para se “manter o máximo respeito possível ao protocolo de Minsk” original, assinado em setembro do ano passado por ucranianos e separatistas pró-Rússia para diminuir a tensão, e acrescentou: “Os resultados ainda não foram alcançados, mas estamos fazendo o máximo de esforços diplomáticos para diminuir a tensão e alcançar a paz”. EFE

rja/cd/rsd