Venezuela corta relações com Panamá, retaliação menor do que aos EUA

  • Por Agencia EFE
  • 06/03/2014 22h03

Ana Mengotti.

Bogotá, 6 mar (EFE).- A Venezuela não tem laços com Israel desde 2009 e os que ainda mantém com os Estados Unidos estão desde 2010 dentro do mínimo necessário no plano político, apesar de não terem sido cortados no comercial, como vai acontecer com o Panamá depois da ruptura de relações anunciada nesta quarta-feira pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

O presidente venezuelano anunciou a ruptura, com congelamento de relações comerciais e econômicas, em resposta à intromissão que a solicitação do governo panamenho à Organização dos Estados Americanos (OEA) para discutir a situação na Venezuela significou, onde desde 12 de fevereiro tem sido registrados protestos diários contra o governo.

O chanceler Elías Jaua acrescentou hoje que o congelamento representa a suspensão das negociações bilaterais para o pagamento de uma dívida de empresários venezuelanos com o Panamá por um montante não definido, o que foi qualificado de “injustiça” por empresários panamenhos.

O Conselho Permanente da OEA, a pedido de Panamá, está reunido hoje para analisar se é procedente tomar medidas contra a Venezuela após quase três semanas ininterruptas de protestos, com violência nas ruas, denúncias de abusos, repressão e censura, e dirigentes opositores detidos ou com ordem de prisão.

Maduro afirmou que os protestos têm como objetivo derrubar um presidente eleito democraticamente e falou de conspirações, planos de intervenção e campanhas midiáticas internacionais.

Além de apontar o dedo para o “império”, países “lacaios”, categoria na qual incluiu o Panamá, e opositores internos “fascistas” como responsáveis pelas supostas tentativas desestabilizadores, citou Álvaro Uribe, o que motivou um protesto do governo colombiano, que foi o principal antagonista de Hugo Chávez na América Latina.

Após muitos episódios de tensão bilateral, com retiradas de embaixadores e congelamento de negócios incluídos, Chávez cortou as relações com a Colômbia no final do segundo mandato de Uribe, em julho de 2010, depois de denunciar pela enésima vez que as Farc contavam com apoio venezuelano.

A denúncia não era nova, mas o lugar eleito para apresentá-la sim. A OEA, um organismo que o governo da Venezuela, tanto o atual como o anterior, classificou de “nefasto”, mas que mesmo assim continua fazendo parte.

As relações colombo-venezuelanas foram retomadas com a chegada de Juan Manuel Santos à presidência em agosto de 2010, quando Chávez, que o tinha criticado duramente quando era ministro da Defesa de Uribe, assistiu à posse e se declarou seu “amigo”.

Com Maduro, que exerce a presidência desde a morte de Chávez e foi eleito nas urnas em abril de 2013, também houve atritos com a Colômbia.

Foi pelo fato de Santos receber em Bogotá ano passado o líder opositor e ex-candidato presidencial venezuelano Henrique Capriles, que ainda hoje, quase um ano depois, não reconhece o triunfo eleitoral de Maduro, e alega que houve fraude nas eleições.

Durante o longo período no qual exerceu o poder (1999-2013), Chávez rompeu relações com Israel e as deixou no mínimo possível com os EUA, mas também teve atritos diplomáticos com os governos de México, Peru e Chile, entre outros.

As relações com Israel, rompidas desde 2009 por causa de um ataque israelense a um navio que transportava ajuda à Gaza, não dão sinal de reflexos de normalização.

Com os EUA a relação desde que Chávez chegou ao poder estiveram marcadas por constantes acusações mútuas, mas a Venezuela continuou fornecendo petróleo aos EUA embora em menor volume, pois a dependência energética do exterior da potência do norte é cada vez menor.

Em 2008 Chávez expulsou o embaixador americano em solidariedade à Bolívia, que tinha feito o mesmo com o argumento de que o representante dos EUA em La Paz conspirava contra o presidente Evo Morales.

Tanto com Chávez como com Maduro na Presidência venezuelana houve tentativas americanas de melhorar a relação, mas com pouco resultado, pois se mantêm em nível de encarregados de negócio desde 2010 e houve frequentes expulsões de diplomatas.

Em 25 de fevereiro o chanceler venezuelano, Elías Jaua, anunciou que seu país proporá Maximilien Sánchez Arveláiz como novo embaixador nos Estados Unidos.

Uma semana antes o governo venezuelano expulsou três diplomatas americanos com o argumento de que os Estados Unidos estavam ajudando a organizar os protestos na Venezuela e em reciprocidade os EUA expulsaram a três venezuelanos da embaixada em Washington.

O governo americano considerou prematura a designação de Maduro de um embaixador em Washington. EFE