Violência aumenta em Guerrero enquanto governador diz ter conseguido a paz

  • Por Agencia EFE
  • 11/08/2015 01h59

Cidade do México, 10 ago (EFE).- A violência voltou a sacudir o estado de Guerrero, no México, com o assassinato de 13 pessoas, entre elas um líder comunitário que participou da busca dos 43 jovens que desapareceram há quase um ano, e a descoberta de uma fossa clandestina com cinco corpos.

Miguel Ángel Jiménez, líder da polícia comunitária do povoado de Xaltianguis, situado na área rural do município de Acapulco, foi assassinado a tiros no sábado passado quando trabalhava em seu táxi e sepultado no domingo, mas a procuradoria estadual ainda não deu detalhes sobre o incidente.

O dirigente da União de Povos e Organizações do Estado de Guerrero (UPOEG), Bruno Plácido, disse hoje à Agência Efe que Jiménez “exerceu um papel importante na busca dos 43 estudantes” da Escola Normal Rural de Ayotzinapa e na descoberta de dezenas de fossas clandestinas na cidade de Iguala.

Plácido comentou que no ano passado Jiménez tinha sido ameaçado de morte e há um mês aproximadamente, quando buscava corpos em um poço de água em Iguala após receber informação que ali se encontrava parte dos estudantes, lhe informou que alguém lhe estava seguindo.

“Estamos fazendo nossa própria investigação do assassinato e os resultados não serão anunciados até termos detalhes de quem o cometeu e de onde chegou a ordem”, completou.

A atuação das policiais comunitárias em Guerrero, que estão reconhecidas pela Constituição local, bem como das autoridades estaduais de federais, não impediu a intensificação da violência.

Segundo o procurador de Guerrero, Miguel Ángel Godínez, os homicídios registrados nos últimos dias estão ligados a “acerto de contas” entre grupos criminosos, sobretudo no porto de Acapulco.

Este famoso balneário mexicano se tingiu de sangue neste fim de semana com a descoberta de uma fossa clandestina com os corpos de quatro homens, um deles com um tiro à queima-roupa, e uma mulher aparentemente nua.

Além disso, um homem foi assassinado a tiros em uma estrada, outro foi achado em um automóvel com marcas de tortura e uma mulher morreu espancada no mercado central.

No município de Teloloapan, três jovens foram assassinados a pancadas e abandonados em um lote baldio; em Taxco, dois sujeitos e uma mulher foram achados com marcas de bala na margem de uma estrada; e, em Iguala, outros dois homens foram mortos em episódios violentos.

Por fim, um jovem identificado como Salvador Damián Serna, sobrinho de um destacado empresário da região, morreu no domingo em um ataque armado em Zihuatanejo.

Esta última foi a única morte à qual fez alusão o governador do estado, Rogelio Ortega, em sua conta no Twitter, na qual condenou o homicídio e expressou suas condolências a seus familiares.

Enquanto estes incidentes violentos sacudiam o estado, Ortega falava da pacificação que alcançou em Guerrero desde que chegou ao poder, após a renúncia em outubro do ano passado de Ángel Aguirre por causa da crise social provocada pelo desaparecimento dos 43 estudantes.

“Diálogo e tolerância extrema” é a fórmula da qual se orgulhou o governador no domingo na comemoração oficial do 233º aniversário do nascimento do líder independentista Vicente Guerrero, que pela primeira vez não foi comemorado em Tixtla.

Isso porque, além de ser o lugar de origem do general Guerrero, Tixtla é lar da combativa Escola Normal Rural de Ayotzinapa à qual pertenciam os 43 jovens desaparecidos em 26 de setembro de 2014.

Seus companheiros e familiares saíram no domingo outra vez às ruas para exigir a aparição dos 43 estudantes, e no próximo dia 26 de agosto, quando se completam 11 meses do desaparecimento, iniciarão uma greve de fome que se prolongará por um mês.

Segundo a procuradoria mexicana, os jovens foram detidos por policiais de Iguala e entregues a membros do cartel Guerreros Unidos, que os assassinaram e os incineraram em um depósito de lixo, uma versão que seus pais se negam a aceitar. EFE

pmc/rsd