Administração petista é um desastre para a Petrobras

  • Por Jovem Pan
  • 24/03/2014 10h29
Dilma Rousseff e Lula na Petrobras

Reinaldo, você volta ao assunto da Petrobras. Por que você diz que a gestão petista tem sido desastrosa para a empresa? Há números a respeito?

Há números e fatos que não me deixam mentir. Há 11 anos e três meses de governo petista, muito especialmente nos oito em que Lula esteve à frente do governo, nenhuma área foi tão arrogante, tão autoritária e ao mesmo tempo tão ineficiente como a Petrobras. E olhem que não se está falando exatamente de uma estatal.

Como se sabe tratasse de uma empresa de economia mista, os desacertos foram se acumulando. Em vez de dar explicações quando confrontado com os problemas, o petista José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da gigante, demitido pela presidente Dilma em Janeiro de 2012, respondia com grosserias e desaforos.

No seu aniversário de 60 anos, em 2013, a Petrobras teve duas péssimas notícias. A primeira: a agência de classificação de risco, Mudes, rebaixou as notas de crédito da estatal de A3 para BAA1, em razão do elevado endividamento.

Segunda má notícia: o relatório do TCU apontou o atraso na entrega do complexo petroquímico de Itaboraí, no Rio, que pode gerar um prejuízo para a empresa de 1,4 bilhão. A Petrobras encerrou 2010 devendo 118 bilhões de reais. No começo deste ano a dívida já se aproximava de 300 bilhões de reais. Parte desse rombo decorre de a Petrobras importar gasolina a um preço superior ao de venda no mercado interno. Como a economia desgringolou, é preciso segurar o preço dos combustíveis para que a inflação não dispare.

No site da Jovem Pan, ouvintes, vocês encontrarão duas fotos. Numa delas Lula aparece com a mão suja de petróleo, na outra ele carimba a mão suja de  petróleo nas costas do macacão de Dilma. Era o dia 21 de Abril de 2006, durante a inauguração da plataforma P-50, em Campos. Lula repetiu o gesto de Getúlio Vargas, que em 1952 também sujara as mãos de petróleo. O populista do passado marcava o início da extração no Brasil, o petista comemorava a suposta auto-suficiência.

No governo petista exemplos escandalosos de má gestão da Petrobras e de uso político da empresa foram se acumulando. Em 2006, mesmo ano do embrolho de Pasadena, o presidente da Bolívia, Evo Morales, tomou duas refinarias da Petrobras, de arma na mão. Se a empresa recebeu alguma compensação justa ninguém sabe, ninguém viu. Nem por isso o índio de araque deixou de ser um  aliado e, na expressão de Lula, um “querido”. Depois disso o BNDES ainda emprestou dinheiro a Evo Morales.

Há mais. Com a mudança de regime de exploração do petróleo de concessão para partilha, no caso do pré-sal, a empresa é obrigada a ser sócia das explorações. O que lhe impõe pesados investimentos. Como investir se enfrenta um grave problema de caixa que vai se agravar nos próximos anos, segundo a Mudes?

A Petrobras, como eu disse, deveria ter inaugurado em Setembro do ano passado o complexo petroquímico de Itaboraí no Rio. A previsão agora é de que o empreendimento seja entregue só em Agosto de 2016. A obra, inicialmente orçada em 19 bilhões, não ficará por menos de 26,6 bilhões.

Assim, e no que deu a tal auto-suficiência que Lula comemorou? O déficit da conta petróleo em 2013 foi de 20,277 bilhões de dólares. O petista só sujou as mãos naquele dia porque não consegue mesmo resistir à tentação.