Alexandre Borges: O Brasil não prende demais, o Brasil prende de menos

  • Por Alexandre Borges/Jovem Pan
  • 05/04/2019 08h59 - Atualizado em 14/05/2019 13h44
JONNY UEDA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOO primeiro direito de todo cidadão é o da própria vida. O Brasil não prende demais, o Brasil prende de menos

Uma quadrilha com aproximadamente 25 bandidos fortemente armados tentou roubar ontem, em Guararema, cidade a cerca de 80km da capital paulista, dois bancos, fazendo também uma família de refém. Depois de intensa troca de tiros, o saldo da ação policial foi de 11 criminosos mortos e três presos.

O governador João Dória e o presidente Jair Bolsonaro elogiaram a atuação da PM. O governador disse que os policiais que colocaram mais de 10 bandidos no cemitério estavam de parabéns. O presidente também comemorou, dizendo aos policiais “bom trabalho”.

O Brasil é um dos países com as maiores taxas de criminalidade do mundo, registrando a marca de 60 mil homicídios por ano, dos quais apenas 8% são apurados. Repetindo: os autores de 55 dos 60 mil assassinatos anuais do Brasil não são nem identificados, muito menos processados, julgados e presos.

Segundo artigo do procurador e professor Marcelo Rocha Monteiro, um assaltante que aponte um fuzil para você ou alguém da sua família e der o azar de ser identificado e preso será condenado, em média, a 5 anos e 4 meses por roubo. Ele vai cumprir 11 meses em regime fechado e depois já terá direito à progressão para o regime semiaberto, aquele em que o bandido apenas dorme na cadeia mas passa o dia na rua, fazendo a prisão de hotel. Em menos de um ano, o Brasil já está colocando este criminoso violento de novo nas ruas.

Quem fala em encarceramento em massa, quem chora por criminosos mortos em tiroteios, não está entendendo a revolução que está em marcha do Brasil. A superlotação das cadeias brasileiras não é fruto de excesso de condenações mas da falta de vagas e construção de presídios.

A eleição de políticos mais preocupados com a segurança do cidadão do que com a proteção de bandidos é uma das maiores conquistas da população brasileira nas eleições de 2018.

O primeiro direito de todo cidadão é o da própria vida. O Brasil não prende demais, o Brasil prende de menos.

Cadeia não é assistência técnica de gente com pequenos defeitos e que precisa de alguns reparos.

Não é com oficinas de garrafas PET, aulas de capoeira ou penas alternativas que se combate à criminalidade, mas com prevenção, patrulhamento ostensivo, a garantia do direito do cidadão à autodefesa, leis mais duras contra o crime e, claro, a retirada de criminosos das ruas.

O cidadão paulista acordou hoje, nesta sexta-feira, um pouco mais seguro. A PM de São Paulo está de parabéns.