Alexandre Borges: Posição ponderada dos generais Heleno e Mourão deve prevalecer pelo bem do Brasil

  • Por Alexandre Borges/Jovem Pan
  • 10/04/2019 09h20 - Atualizado em 14/05/2019 13h44
Marcos Corrêa/PRBrasil e Venezuela são dois países em crise econômica e a possibilidade de uma guerra não deveria ser sequer cogitada

O presidente Jair Bolsonaro, na entrevista exclusiva dada ao nosso companheiro Augusto Nunes para a Jovem Pan, não descartou um eventual conflito militar com a Venezuela.

Bolsonaro disse que consultaria antes da sua decisão final o parlamento e o Conselho de Defesa Nacional, mas que todas as possibilidades estão na mesa, o mesmo que afirmou o presidente americano Donald Trump.

O Conselho de Defesa Nacional está subordinado ao GSI, o Gabinete de Segurança Nacional que é chefiado pelo General Augusto Heleno, que já se declarou contrário a uma guerra contra a Venezuela, a mesma posição do vice-presidente, o General Hamilton Mourão.

Brasil e Venezuela são dois países em crise econômica e a possibilidade de uma guerra não deveria ser sequer cogitada, a não ser evidentemente que haja uma invasão do território brasileiro. Guerras geram gastos quase ilimitados, além da perda inestimável de vidas humanas.

Uma estimativa do Instituto Watson da Brown University calcula que entre 2001 e 2016 os EUA gastaram quase US$ 5 trilhões com despesas relacionadas à guerra e à defesa, algo como R$ 18,5 trilhões, mais que o dobro do produto interno bruto do Brasil do ano passado. É muito dinheiro.

Segundo o site Global Firepower, que calcula o poderio militar de 137 países, o Brasil está na 13ª posição como potência militar no mundo enquanto a Venezuela está no 43º lugar. É uma diferença enorme, mas essa superioridade justificaria uma ação militar? Muita calma nessa hora.

Enquanto o Brasil é visto como superior à Venezuela por terra e mar, o país de Nicolás Maduro seria mais forte no ar.

A Venezuela tem um contingente de 120 mil militares em serviço, enquanto o Brasil tem 335 mil militares na ativa, mas nesta conta não entram os 100 mil policiais da Guarda Nacional Bolivariana e quase 1 milhão de milicianos e paramilitares da Milicia Nacional Bolivariana que estão de prontidão para qualquer eventualidade. É muita gente.

Como parte da estratégia de pressão internacional para a queda de Nicolás Maduro, declarar que todas as opções estão na mesa, inclusive a guerra, faz parte, mas na prática a ação pode terminar numa tragédia com prejuízos incalculáveis, mesmo considerando uma vitória brasileira com apoio americano.

Agora é torcer para que a posição ponderada do General Heleno e o General Mourão prevaleça, para o bem do Brasil. E que Maduro caia antes de provocar uma guerra.