Aumento da taxa Selic mostra que Banco Central não ficará de braços cruzados

  • Por Denise Campos de Toledo/ Jovem Pan
  • 05/03/2015 15h20
Juros 170111

O Copom, Comitê de Política Monetária do Banco Central, elevou mais uma vez a taxa básica de juros, a selic, mesmo com a previsão de uma recessão da economia brasileira este ano, que pode ir de – 0,5% a – 1,5%. Os juros básicos estão subindo desde 2013 quando estavam em 7,25% ao ano. Agora a Selic está em 12,75%, com tendência de subir mais.

Subir mais porque? Os juros são um instrumento clássico de controle da inflação, usado em quase todo o mundo. Mas no atual momento da economia brasileira vale questionar esse procedimento. Em princípio, essa estratégia é usada pra frear o consumo e, através da demanda menor, desestimular os aumentos de preços. Comércio, indústria e prestadores de serviços seguram os preços pra evitar uma queda maior do movimento. Só que a demanda já está em desaceleração. Aliás, toda a atividade econômica está perdendo ritmo, com aumento do desemprego e inflação alta demais, que compromete muito o poder de compra, o que já seriam fortes desestímulos ao consumo e aos aumentos de preços. As empresas já estão segurando o quanto podem.

Não estamos tendo uma inflação da demanda. O problema nos últimos meses foi a correção exagerada de preços administrados. Principalmente, das tarifas de energia. Também subiram os combustíveis, tarifas de transporte… ainda ocorreram reajustes pesados de mensalidades escolares, fretes, tributos. E tem a alimentação mais cara. Cada ida ao supermercado é um susto. Muita gente só está conseguindo manter as despesas básicas e mesmo assim com cortes. Então, não é o consumo que está pressionando a inflação. Mesmo assim os juros estão subindo e devem subir mais….

A explicação é que o Banco Central quer trabalhar as expectativas. Pretende reverter as expectativas de uma inflação cada vez mais alta, o que acaba reforçando reajustes preventivos e a indexação, que é a correção automática de preços e serviços com base na inflação corrente. O Banco Central não quer dar a ideia de que está de braços cruzados deixando a inflação avançar, sem alguma estratégia, como fez lá atrás, quando o estímulo ao consumo era a prioridade.

Na verdade, até se prevê uma inflação mais baixa no ano que vem. mas não, necessariamente, pelos juros altos. A questão é que em 2015 não devemos ter um tarifaço e a queda atual da demanda deve segurar mais os aumentos de preços, inclusive no setor de serviços, que foi um dos vilões da alta da inflação nos últimos anos. Os juros altos só vão segurar mais a demanda, a atividade, além de encarecer os investimentos das empresas e a rolagem de dívidas. Com um detalhe: o governo também tem um aumento muito forte da dívidas por conta dos juros mais elevados. O que é mais um fato estranho entre tantos outros que temos visto na gestão da política econômica. O governo está “espremendo” a economia o quanto pode para gerar um superávit das contas públicas. Superávit que é necessário para pagar a dívida e passar o atestado de bom pagador. Mas aumentar os juros, ainda que gere expectativas melhores para a inflação, eleva demais a dívida, exigindo maior austeridade fiscal, que oprime ainda mais a atividade econômica.