Blogs petralhas dizem: “Até Reinaldo Azevedo criticou força-tarefa”

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 16/09/2016 12h52
Jovem Pan Reinaldo Azevedo analisa 08 08

Os blogs sujos, petralhas, não hesitaram nesta quinta: “Até Reinaldo Azevedo reconhece que Lava-Jato… (…)”. E aí emendavam uma coisa qualquer desairosa à operação, referindo-se àquele desastrado espetáculo protagonizado por Deltan Dallagnol… Temo que possam chegar ao êxtase com a minha coluna na Folha desta sexta.

O mais encantador é o “até Reinaldo Azevedo…” Ora, “até” por quê? É claro que a minha pergunta é retórica. Eu conheço os motivos. Criei a palavra “petralha”. Sou, talvez, o jornalista mais odiado pelo petralhismo. A razão é simples: eu denuncio suas falcatruas há pelo menos 15 anos, antes ainda de sequestrarem o governo federal. Mais: eu o faço, em muitos aspectos, desconstruindo-os por dentro já que conheço a literatura que evocam, mas com uma diferença: eu li o que eles citam; eles não. Na cabeça que estoca vento dessa gente, eu sou a “direita”.

Logo, se “até” eu critiquei Dallagnol, então vai ver o cara realmente exagerou. Sempre acho curioso quando as pessoas apelam ao testemunho de seus adversários intelectuais para justificar as próprias teses e as próprias opiniões. Se vocês prestarem atenção, não faço isso nem com amigos nem com inimigos. Não preciso me escorar em ninguém.

Mas entendo o “até” de um outro modo também. Como essa esquerdalha pensa em bando, e alguns deles pertencem mesmo a uma espécie de organização criminosa, imaginam que os não petistas e os críticos severos do partido, como sou, também formam uma quadrilha. E nada é mais falso do que isso. Há críticos de Lula e do PT com quem eu me nego a tomar um café. Há vigaristas falando porcarias na Internet, disfarçadas de jornalismo, que deveriam estar exercendo a sua vocação num bordel — com todo respeito, claro, às profissionais do “amor verdadeiro” e remunerado. Há ditos conservadores a quem jamais estenderia a mão. E há pessoas com formação de esquerda que leio com enorme prazer.

Eu não pertenço a bando nenhum. Eu não sou quadrilheiro do pensamento.

Assim, os trouxas podem se dispensar de dizer: “Até Reinaldo Azevedo reconheceu…”. Nada disso! Mudem esse texto: “Principalmente Reinaldo Azevedo reconheceu a conduta absurda de Dallagnol”. E isso nada tem a ver com a inocência de Lula. Até porque eu o considero culpado. Eu não quero é que um procurador destrambelhado, agindo ao arrepio da técnica, fabrique a impunidade do ex-presidente por fanatismo e estrelismo. O fanatismo é a morte da convicção e produz resultados contrários ao pretendido.

É simples assim.