Bolsonaro não apresenta risco nenhum para a democracia

  • Por Jovem Pan
  • 02/04/2014 19h34
Sessão teve tumulto durante com manifestações pró e contra o golpe militarCâmara encerra sessão que lembrou o golpe militar

Nêumanne, o povo tem do que se orgulhar da democracia que ele apoia?

No fim de semana, a Folha de S. Paulo publicou sua pesquisa Datafolha mostrando aprovação recorde da democracia – 62% dos entrevistados acham que o regime democrático é sempre melhor do que qualquer outro e apenas 16% acham que tanto faz. No entanto, logo na abertura do ano da semana parlamentar na Câmara dos Deputados foi dado um exemplo de como a elite política dirigente do país, a alta nata do poder legislativo, desrespeita essa vontade do povo.

Afinal de contas, todos vocês conhecem minha opinião e sabem que eu nunca tive, não tenho e nunca terei nenhuma simpatia pelo deputado Jair Bolsonaro. Mas o Jair Bolsonaro foi eleito. Ele tem tanto direito de falar como qualquer outro parlamentar no Brasil. E não é ele que fala; são os eleitores que votaram nele numa democracia. Pode ser que eles queiram o atraso, que eles queiram voltar atrás para um período pior, mas é verdade que a democracia aceita esse tipo de coisa, e é por isso que todo mundo gosta da democracia e é por isso que a democracia é aceita no mundo civilizado.

Os senhores deputados que voltaram as costas, cantaram o hino nacional e não deixaram o deputado ser ouvido da forma respeitosa, como exigia que fosse o presidente da sessão, diga-se de passagem, da homenagem ao ex-ministro e deputado Amir Lando, do PMDB de Rondônia, a verdade é que houve um tumulto para impedir de ouvir a voz dele.

É uma coisa lamentável, não apenas pelos desrespeito e pela falta de espírito democrático, mas também por demonstrar um certo temor de que a palavra de Jair Bolsonaro possa vir a ter alguma ressonância e ameace a democracia. É muita covardia e não corresponde a realidade. O Bolsonaro não representa risco nenhum.

Aliás, os próprios militares estão entrando nesta corrente popular, desde que o ministro da Defesa, Celso Amorim, acaba de anunciar que os militares vão fazer investigações nos lugares que são apontados como casas de tortura. Já é um passo importante.

E quando a presidente Dilma Rousseff, num surpreendente discurso em que deu para entender tudo, defendeu a Lei da Anistia e disse que era contra a revisão pedida por vários corregionários, ela demonstrou que esá no caminho certo. Não por defender ou não defender. A questão não é a opinião dela; a questão é que o caminho certo é fazer o que ela fez, o que seu governo está fazendo, ou seja, é fazer com que os militares também apurem a verdade, diagnosticando o que aconteceu dentro das próprias instituições armadas.