Brasil não é o único a elevar o tom contra desgoverno de Maduro

  • Por Caio Blinder
  • 17/05/2016 10h46
Nicolás Maduro logo após votar em eleições que decretaram a maioria para a oposição na Venezuela
Não é apenas o Brasil sob a gestão Temer que tem um discurso mais duro contra a Venezuela do desgovernado Nicolás Maduro. Realmente basta de escutar a papagaiada de Maduro de que o impeachment é golpe ou que existe um complô internacional para derrubá-lo, como se seu próprio desgoverno não bastasse para a implosão chavista. 
Nos últimos dias, contudo, o governo americano também elevou o tom contra Maduro, sinalizando que Washington está recalibrando sua estratégia. E, de fato, Maduro está provocando represálias com decisões como as de decretar estado de emergência por tempo indeterminado, ameaçar tomar empresas privadas que não produzam ou anunciar manobras militares para frear a tal da intervenção estrangeira.
Na semana passada, Joe Biden, vice-presidente americano, fez as acusacões mais duras até agora dos Estados Unidos contra o chavismo e, na sequência, analistas do serviço de inteligência vazaram para a imprensa que a ideia é colocar mais pressão sobre Maduro para que ele não crie mais encrenca, intimide ainda mais a oposição ou simplemente coloque mais lenha na fogueira.
Em Washington, existe o temor de que haja a explosão de uma crise humanitária na Venezuela devido à escassez de alimentos e ao colapso dos serviços. A manchete de segunda-feira (16), na edição impressa do New York Times, era sobre o descalabro nos hospitais venezuelanos. 

Na avaliação do governo Obama, o ideal seria  uma saída organizada do atual governo do poder antes que a Venezuela descambe para uma guerra civiil ou, no mínimo, para uma espiral descontrolada de violência.

Analistas da inteligência norte-americana estão cada vez mais convencidos que Nicolás Maduro será afastado por membros do próprio chavismo antes do final do seu mandato de seis anos, iniciado em abril de 2013. A posição do presidente se debilita dentro de seu próprio partido. 

É verdade que uma ala está disposta a botar para quebrar, inclusive impedindo a convocação do plebiscito revogatório impulsionado pelos seus opositores, que vai superando os obstáculos para a sua realização conforme determina a lei. 

Washington prefere acreditar que Caracas pode atrasar a realização do plebiscito, mas não impedi-lo. Neste contexto, setores do chavismo iriam se bandear para o outro lado, preferindo negociar uma transição com a oposição ao invés de sustentar o podre e desastrado governo Maduro.