Brexit: a fantasia britânica de divórcio relativamente amigável

  • Por Caio Blinder/Jovem Pan
  • 01/04/2017 11h27
BRE19 LONDRES (REINO UNIDO) 20/02/2017.- Varias personas manifiestan con pancartas y ondean la bandera de la Unión Europea a las afueras del Parlamento en Londres, Reino Unido, hoy, 20 de febrero de 2017. Emigrantes a favor de la Unión Europea residentes en Reino Unido pusieron en marcha varias manifestaciones en contra de la activación del "brexit" para la salida del Reino Unido de la Unión Europea (UE). La Cámara de los Lores (alta) empieza a debatir hoy el proyecto de ley que debe autorizar la activación del "brexit", la salida del Reino Unido de la Unión Europea. La primera ministra británica, Theresa May, ha indicado que es su intención invocar el artículo 50 del Tratado de Lisboa, que inicia el proceso formal de negociaciones sobre la retirada de un país comunitario, antes de que termine el próximo mes de marzo. EFE/Andy RainManifestação contra o Brexit - EFE

A sorte está lançada, ou melhor dizendo, a má sorte. Na quarta-feira, solenemente, a Grã-Bretanha ativou o artigo 50 do Tratado de Lisboa, dando início a dois anos de complicadas e entediantes negociações que devem culminar na ruptura com a União Europeia. É o Brexit.

Como a eleição de Donald Trump em novembro passado, os britânicos não tinham muita noção do que estava fazendo ao apoiar o Brexit no referendo de junho. A fantasia de um divórcio relativamente amigável cederá lugar à realidade de um doloroso racha.

Obviamente, para os britânicos e a União Europeia interessa muito mais um acordo suave. Existe teatro nesta fase que precede as negociações de verdade. No entanto o rancor está cristalizado.

O núcleo duro da União Europeia, Alemanha e França, não pode dar moleza aos britânicos para que não haja precedentes. Sair do projeto (e esta é a primeira vez que isto acontece) deve ser ser uma iniciativa penosa.

Ademais, a fantasia britânica é abocanhar o melhor da união, que é acesso aos mercados, e se desfazer do que não gosta, o livre trânsito de pessoas. Enquanto os britânicos querem negociações simultâneas sobre o divorcio e um novo acordo comercial, os europeus ofendidos dizem que primeiro lugar vamos acertar a separação. Frau Merkel foi muito clara na quarta-feira sobre o cronograma.

O casamento nunca foi apaixonante. A adesão britânica ao projeto europeu foi relutante e ironicamente houve o empenho de Londres para que ele se alargasse para a Europa Oriental e assim se diluísse. O resultado é um mastodonte de 27 países (excluindo a Grã-Bretanha).

Os advogados do Brexit (e entre os quais não estava a primeira-ministra Theresa May) sempre apregoavam que o país será mais pujante sem as amarras europeias. O tempo dirá se a economia de um país efetivamente mais vigoroso do que o continente realmente tem a ganhar com o divórcio. Não vou entrar aqui na guerra das projeções estatísticas.

Não tenho dúvida, porém, que a Grã-Bretanha sozinha irá perder relevância.