Campos marca diferenças com Aécio Neves; entenda

  • Por Jovem Pan
  • 05/05/2014 11h04

Reinaldo, quer dizer que Eduardo Campos, do PSB, decidiu marcar as suas diferenças  com Aécio Neves, do PSDB?

É, decidiu. Olá internautas e amigos da Jovem Pan.

Às vezes o debate fica meio atrapalhado e cumpre, se me permite o meu neologismo, desatrapalhar. Neste domingo o ex-governador de Pernambuco e pré-candidato do PSB à presidência, Eduardo Campos, resolveu marcar suas diferenças em relação ao tucano Aécio Neves, no encerramento do encontro promovido pelo partido Pátria Livre.

E afirmou: “Assumi um compromisso que não se via fazer mudança no país tirando os direitos dos trabalhadores. Hoje o ministro Mantega fala nisso e o candidato Aécio também já se posicionou em relação a isso. A questão da maioridade penal é outro exemplo. É um cláusula pétrea da Constituição, o Supremo já se posicionou sobre isso. Não tem como mudar, quem está falando que vai mudar não conhece a decisão da Supremo Corte do país”.

Vamos então por as coisas no lugar. Comecemos pela questão trabalhista, o tucano Aécio Neves não defendeu flexibilização nenhuma. Quando se referiu recentemente ao tema, falava de um setor específico, de turismo, que vive uma realidade muito particular. De resto, prestem atenção, os trabalhadores do setor privado, com carteira assinada, chegam a 77,1%, num universo de 57,3% de pessoas com idade de trabalhar  consideradas ocupadas. Esses número são do IBGE e se referem ao quarto trimestre do ano passado.

Logo, há de se convir que existem milhões de trabalhadores ainda na informalidade. Aécio não defendeu a flexibilização, mas a proposta deveria ser abraçada por todos os candidatos. A flexibilidade não é sinônimo de precariedade, alguns setores com menos encargos e regras menos rígidas poderiam empregar mais.

No caso da maioridade penal, está duplamente errado o ex-governador de Pernambuco. A proposta do PSDB, apresenta pelo senador Aloysio Nunes, mantém a maioridade penal aos 18 anos, mas confere à Justiça, no caso de crimes hediondos, a possibilidade de responsabilizar um criminosos a partir dos 16 anos. De resto, não é verdade que o STF já tenha se manifestado a respeito. A informação está errada.

A título de ilustração. Na sabatina de que participou no Senado, por exemplo, o ministro Teori Zavask opinou de que não se trata de cláusula pétrea. Para quem não lembra ou não sabe, cláusula pétrea é aquilo que não pode ser mudado na Constituição.

Na sua intervenção, Campos também acusou o governo de fazer terrorismo eleitoral ao sugerir que, se a oposição vencer a eleição, a Bolsa Família vai acabar. Defendeu ainda uma regra para o preço dos combustíveis, que leva em consideração o preço internacional e também o custo de produção do nosso país.

Pois é, se a questão é terrorismo, ele pode se preparar. Os petistas começarão a acusá-lo hoje mesmo de querer elevar o preço dos combustíveis. A política começa a entrar naquele momento em que calar, às vezes, pode ser tão importante quanto falar.