Cardozo e Adams ignoram os cargos que ocupam na República e se comportam como meros advogados do PT

  • Por Jovem Pan
  • 05/12/2014 09h58
Montagem JP; fotos Sérgio Lima/Folhapress e Anderson Stevens/Futura Press/Folhapress Cardozo e Adams podem substituir Barbosa

Reinaldo, parece que José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, e Luís Inácio Adams, advogado-geral da União, andaram fazendo bobagem, é isso?

Andaram, sim. E como!

Se um gênio aparecer e lhe conceder um só desejo, não caia na tentação de pedir dinheiro, felicidade, a mulher ou o homem amados. Nada disso! Considere o seguinte texto: “Gênio, não me deixe perder o senso do ridículo!”. Ou vocês ainda acabam se comportando como um José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça. Ou vocês ainda acabas repetindo Luís Inácio Adams, advogado-geral da União. Pensem: vocês terão a sorte que eles não tiveram e poderão se proteger de si mesmos. Por que escrevo isso?

O ministro da Justiça — sim, ministro da Justiça! — veio a público para assegurar que é “incorreto” associar o esquema de corrupção na Petrobras à campanha de 2010 da então candidata do PT, Dilma Rousseff. Segundo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, um dos dois executivos da Toyo Setal que fizeram delação premiada, parte da propina paga pela empresa foi convertida em doações eleitorais ao PT devidamente registradas. Isso teria acontecido entre 2008 e 2011. Em 2010, reitero, Dilma disputou a Presidência da República.

Cardozo acha que há um esforço de “politizar” a questão — como se ela não fosse, afinal, política, embora também seja de polícia. O ministro, vejam que curioso!, diz ser impossível saber, a esta altura, qual candidatura foi beneficiada:
“Ha uma leitura política dos fatos que não condiz com aquilo que está dito. Cada um vai ver os fatos como lhe interessa. Por que é a [campanha] presidencial e não a dos governadores? Onde é que está dito isso? Eu não posso cair no jogo da tentativa de politizar [a acusação]. De onde se tira que isso é para a campanha da Dilma?”.

Cardozo provoca em mim vergonha alheia. É esse o homem que dizem ser candidato ao Supremo? Se ele mesmo diz que é impossível saber os beneficiados pelo esquema, como pode negar que tenha sido Dilma? Onde ele aprendeu lógica? De resto, esse não é seu papel. Que fale o presidente do PT, Rui Falcão. Que fale o tesoureiro do partido! Por que há de ser o ministro da Justiça? Mais: Cardozo foi um dos três coordenadores da campanha de Dilma em 2010 — junto com Antônio Palocci e José Eduardo Dutra. Dilma os apelidou de “Os Três Porquinhos”. Então tá.

Adams, da Família Luís Inácio, advogado-geral da União, também saiu em defesa de Dilma: “Tem de terminar a investigação, ver exatamente o que aconteceu, ver se há responsabilidade, se há dolo inclusive. Mas, em princípio, eu tenho confiança de que o trabalho de campanha foi o mais cuidadoso possível”. Segundo o advogado-geral, em 2010, os petistas contavam com uma equipe jurídica que atuava para impedir ilegalidades.

É mesmo? Adams é advogado-geral da União ou do PT? Ele é pago para defender os interesses de um órgão de estado ou de um partido? É outro candidato ao Supremo. Sim, cabe a ele defender a presidente da República contra eventuais acusações decorrentes do exercício do cargo. No caso em tela, o que está em questionamento é a candidata do PT à Presidência em 2010.

Os petistas e acólitos perderam qualquer senso de decoro ou de solenidade. Ministro da Justiça e advogado-geral da União se comportam como esbirros de um partido político e consideram isso normal e justificável. É parte da degradação do estado brasileiro promovida pelo petismo.