As chances de Dilma, Cristina, Maduro e Peña Nieto não terminarem seus mandatos

  • Por Jovem Pan - Nova Iorque
  • 15/02/2015 14h32

Que folia na América Latina! É o samba do escândalo e a marcha da corrupção. As revelações seguem pedindo passagem na avenida.

Na sexta-feira, em Buenos Aires, houve o indiciamento da presidente Cristina Kirchner, com base na denúncia do promotor Alberto Nisman de que ela e vários assessores, entre eles o chanceler Héctor Timerman, teriam acobertado a participação de iranianos num atentado a um centro judaico em Buenos Aires em 1994.

Nisman apresentou a denúncia quatro dias antes de ser encontrado morto em seu apartamento há três semanas. O promotor federal Gerardo Pollicita decidiu ir adiante com o caso, algo significativo em termos judiciais e políticos.

O governo Kirchner foi fulminante na sexta-feira para denunciar “golpismo” e novamente negar as acusações.

A empresa de consultoria de risco Eurasia acaba de divulgar relatório com as probabilidades de quatro dos principais dirigentes latinoamericanos não terminarem o mandato.

Vamos começar em casa: a probabilidade para Dilma Rousseff sofrer impeachment é de 20%, de acordo com o relatório. Para o mexicano Enrique Peña Nieto, a probabilidade é de 10%. Para Cristina Kirchnerm a possibilidade é de 15% e seria maior caso não houvesse eleição programada para outubro e o relatório anterior a essa denúncia do promotor federal. Risco maior para queda do presidente da Venezuela, Nicolas Maduro: 70%.

Existem dinâmicas específicas em cada um dos quatro países, mas em comum há a combinação de queda de aprovação popular e menor crescimento econômico na esteira de um período de abundância que aumentou as oportunidades de corrupção. Com o contrafluxo, estão aí as condições de instabilidade e crise política.

No caso brasileiro, a Eurasia avalia que o governo Dilma enfrenta uma tempestade perfeita de dificuldades econômicas, a necessidade de fazer ajustes fiscais e o desafio do sério escândalo de corrupção na Petrobras. Neste cenário, o impeachment de Dilma Rousseff é uma probabilidade “não trivial” de 20%.