Coluna tira Serra do Itamaraty. Torço por Sérgio Amaral no lugar

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 23/02/2017 11h10
MON01. MONTEVIDEO (URUGUAY), 05/07/2016.- El canciller brasileño, José Serra, habla en una conferencia de prensa hoy, martes 5 de julio de 2016, en Montevideo (Uruguay). José Serra se reunió con el presidente de Uruguay, Tabaré Vázquez, y con su homólogo en el país, Rodolfo Nin Novoa, y les propuso postergar hasta mediados de agosto la decisión sobre si traspasar o no a Venezuela la presidencia temporal del Mercosur. EFE/Juan Ignacio MazzoniChanceler brasileiro José Serra fala com a imprensa em Montevidéu - EFE

José Serra, ministro das Relações Exteriores, entregou uma carta ao presidente Michel Temer pedindo demissão do governo. As especulações correm soltas. E todas sobre o nada. Vamos ver.

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O tucano alegou problemas de saúde. Lá se pode ler:  “Faço-o com tristeza, mas em razão de problemas de saúde que são do conhecimento de Vossa Excelência, os quais me impedem de fazer viagens internacionais inerentes à função de Chanceler. Isso sem mencionar as dificuldades para o trabalho do dia a dia. Segundo os médicos, o tempo para o restabelecimento adequado é de quatro meses”.

Serra está mentindo ou guardando algo em segredo? Nada indica. Em dezembro de 2016, ele passou por uma cirurgia na coluna no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. O senador apresentava um quadro de compressão da raiz nervosa e tinha problemas de estabilidade nas vértebras. A intervenção foi feita na região cervical.

Fato: o tucano tem se queixado de dores terríveis, o que o obriga a tomar analgésicos com frequência. Se fica muito tempo em pé, o desconforto é grande; permanecer sentado por muitas horas — uma viagem de avião, por exemplo — também é um suplício. Os médicos esperam que essas dores diminuam.

Quem acompanha o perrengue de perto sabe que tal condição é mesmo incompatível com a vida de um ministro das Relações Exteriores. Ele vai retomar a sua vaga no Senado. Estará, ao menos, dispensado das viagens frequentes.

Serra se ressente, hoje, sobretudo, da dificuldade de escrever porque, por óbvio, o ato força a região do pescoço em razão da posição. E, bem, ele é dos poucos políticos que redigem, no mais das vezes, o próprio texto. A rotina tem sido difícil.

Lava Jato?
Hoje em dia, tudo precisa ser submetido ao filtro da Lava Jato. Será que a operação e seus eventuais desdobramentos têm algo a ver com isso? Bem, rigorosamente nada.

Em uma das delações, um diretor da Odebrecht afirmou que foram depositados US$ 23 milhões no exterior, pelo caixa dois, para a sua campanha à Presidência de 2010. No que vai dar?

Não se se sabe. Seja lá o que for, a iniciativa será da Procuradoria-Geral da República, que vai se manifestar no Supremo. Nada muda para Serra em relação ao foro especial por prerrogativa de função. Deixa de ser ministro, mas continua senador.

A saída nada tem a ver com essa questão. Até porque a regra já foi definida por Temer. Ministro que se tornar réu vai deixar o governo. Não fosse seu estado de saúde, Serra teria ficado. Não haveria surpresas a respeito, qualquer que fosse a decisão da PGR e do Supremo.

Qualquer governo perderia quando um quadro como Serra dele saísse. Também vale para este, o que não quer dizer que não se possa escolher um substituto competente. Se eu estivesse na cadeira de Michel Temer, diga-se, nomearia Sérgio Amaral, hoje embaixador do Brasil nos EUA. Reúne todas as credenciais profissionais, intelectuais e políticas para o cargo.

No Senado
Serra é um senador operoso e certamente contribuirá para afinar o debate na Casa. O projeto original, tornado lei, que desobrigou a Petrobras de ser operadora única do pré-sal, por exemplo, é de sua autoria.

Há versões às pencas em casos assim. Quem convive mais de perto com o senador assegura que não tem qualquer fundamento a suposição de que possa estar com uma doença mais grave.

Até porque, dada a dor que sente, a coisa já é grave o bastante. Que se recupere logo!