Com discurso contra os políticos, Kalil vence em BH, em campanha comandada por ex-tucano

  • Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
  • 31/10/2016 11h00
Alexandre Kalil - DIV

O PSDB colhe um péssimo resultado em Belo Horizonte, onde as abstenções, brancos e nulos também dão o que pensar. Dados os números do primeiro turno, estamos diante de um desfecho certamente inesperado. É o resultado que mais tem impacto nacional. É claro que ele depõe contra a liderança do senador Aécio Neves (MG) no Estado e no partido. Para os que viam na eleição de João Doria, em São Paulo, no primeiro turno, o fortalecimento da pré-candidatura do governador Geraldo Alckmin, eis o segundo prato cheio.

Alexandre Kalil (PHS) se elege prefeito da capital mineira, com 52,98% dos votos (628.050), contra 47,02% (557.356) do tucano João Leite. Também em Belo Horizonte, a abstenção é gigantesca: 438.968 (22,7%). Os brancos somam 72.131 (4,85%), e os nulos, 230.951 (15,52%). Ou por outra: 43,07% não quiseram saber nem de um nome nem de outro.

Notaram? Os que não escolheram ninguém são 742.050 — 114.000 a mais do que os eleitores do vencedor, Kalil, e 184.694 a mais do que os de João Leite. Não são resultados que devam honrar a classe política, de jeito nenhum!

João Leite chegou à frente no primeiro turno, com 33,4% dos votos, contra 26,56% de Kalil.

A estratégia do candidato do PHS, comandada pelo ex-tucano Gabriel Azevedo, vereador eleito pelo PHS, seguiu, em alguns aspectos, as pegadas da de João Doria em São Paulo. Ele se apresentou como um não político e acusou a parceria entre Aécio e o petista Fernando Pimentel, governador de Minas.

Uma das propagandas que foram ao ar apresenta a dupla em defesa da candidatura de Márcio Lacerda (PSB), atual prefeito de Belo Horizonte. Eram aqueles tempos em que o PT e o PSDB de Minas andavam de braços dados. Nestes dias, em que há uma pronunciada e compreensível ojeriza à política, a estratégia mostrou-se mais do que acertada.

Como a gente nota, boa parte não quer nem comparecer às urnas para votar. Uma parcela considerável dos que o fazem acaba escolhendo justamente aquele nome que parece simbolizar a contestação ao statu quo.

O resultado, então, é esse que a gente vê.

O desfecho é particularmente ruim para os tucanos de Minas porque a reputação do governador Pimentel anda ao rés do chão. Há até quem aposte que não consiga concluir o seu mandato. Esperava-se, no começo, que a eleição fosse um passeio para o PSDB. Não é o que os números indicam. Vejam, abaixo, uma das peças publicitárias da campanha de Kalil que simbolizam a estratégia que definiu a vitória.