72 milhões não trabalham, e a gente discutindo escala 6×1!

Há 5,9 de pessoas desempregadas (procuram emprego e não conseguem trabalhar) e 102,7 milhões empregadas

  • Por Alan Ghani
  • 09/03/2026 09h09 - Atualizado em 09/03/2026 09h09
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MARCELO OLIVEIRA/RASPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Manifestantes protestam pela taxação das grandes fortunas e contra as atitudes do Congresso contra o povo SP - ATO/TAXAÇÃO/FORTUNAS/SÃO PAULO - GERAL - Manifestantes se reúnem no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (MASP), na Avenida Paulista, região central da capital, em 10 de julho de 2025

Na última quinta-feira, o IBGE divulgou a taxa de desemprego no Brasil, que ficou em 5,4% no trimestre terminado em janeiro. Isso significa que há 5,9 de pessoas desempregadas (procuram emprego e não conseguem trabalhar) e 102,7 milhões empregadas.

Já a população fora da força de trabalho – pessoas que tem idade para labutar, mas não trabalham por opção – ficou em 66,3 milhões. Se somarmos o número de pessoas que não trabalham por opção mais o contingente de desempregados, chegamos a 72,2 milhões de pessoas que não trabalham no Brasil.

O número é assustador para um país emergente, extenso territorialmente e que tem a sua população envelhecendo. Pessoas fora da força de trabalho significa desperdício de capacidade produtiva.

A questão se torna ainda mais grave, dada a nossa baixa produtividade, e o país apresentar taxas de crescimento historicamente pequenas – o eterno voo de galinha. Para piorar, com o fim do bônus demográfico (menos jovens e a população envelhecendo), precisaremos crescer muito, para sustentar cada vez mais um número maior de aposentados. É claro que utilização de mão de obra é um fator importante para alcançar esse objetivo.

São problemas graves que, em qualquer país sério, estariam discutindo como incentivar 66 milhões de pessoas a trabalharem a fim de gerar mais crescimento econômico e minimizar o problema estrutural previdenciário. Mas, no Brasil, preferimos discutir o fim da escala 6×1, mesmo com 72 milhões de pessoas sem trabalhar.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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