72 milhões não trabalham, e a gente discutindo escala 6×1!
Há 5,9 de pessoas desempregadas (procuram emprego e não conseguem trabalhar) e 102,7 milhões empregadas
Na última quinta-feira, o IBGE divulgou a taxa de desemprego no Brasil, que ficou em 5,4% no trimestre terminado em janeiro. Isso significa que há 5,9 de pessoas desempregadas (procuram emprego e não conseguem trabalhar) e 102,7 milhões empregadas.
Já a população fora da força de trabalho – pessoas que tem idade para labutar, mas não trabalham por opção – ficou em 66,3 milhões. Se somarmos o número de pessoas que não trabalham por opção mais o contingente de desempregados, chegamos a 72,2 milhões de pessoas que não trabalham no Brasil.
O número é assustador para um país emergente, extenso territorialmente e que tem a sua população envelhecendo. Pessoas fora da força de trabalho significa desperdício de capacidade produtiva.
A questão se torna ainda mais grave, dada a nossa baixa produtividade, e o país apresentar taxas de crescimento historicamente pequenas – o eterno voo de galinha. Para piorar, com o fim do bônus demográfico (menos jovens e a população envelhecendo), precisaremos crescer muito, para sustentar cada vez mais um número maior de aposentados. É claro que utilização de mão de obra é um fator importante para alcançar esse objetivo.
São problemas graves que, em qualquer país sério, estariam discutindo como incentivar 66 milhões de pessoas a trabalharem a fim de gerar mais crescimento econômico e minimizar o problema estrutural previdenciário. Mas, no Brasil, preferimos discutir o fim da escala 6×1, mesmo com 72 milhões de pessoas sem trabalhar.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.
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