Caso Master: as estranhas coincidências
O caso é um suco do Brasil- Exemplo perfeito do capitalismo de compadrio, no qual um banco cresceu não pela produtividade ou capacidade de inovação, mas pelas conexões políticas com membros de todos poderes
O caso do banco Master é um suco do Brasil. É o exemplo perfeito do capitalismo de compadrio, no qual um banco cresceu não pela produtividade ou capacidade de inovação, mas pelas conexões políticas com membros de todos os poderes de Brasília, numa mistura dantesca entre o público e o privado.
Pelo Congresso, teve tentativa de aumentar o limite do FGC de R$250.000 para 1 milhão, coincidentemente meses antes da liquidação do Master. Teve também um projeto de lei que dava poderes para os congressistas demitirem diretores do Banco Central, ferindo a autonomia da autoridade monetária.
Do lado do Judiciário, houve muita coisa estranha também. Primeiro, o processo parar no STF por um motivo fraco juridicamente: a transação de um imóvel com um deputado do PL que não tinha nada a ver com a fraude bancária. Depois, o processo entrar em sigilo, um dia após o ministro Dias Toffoli pegar uma carona no jato particular de um dos advogados do banco de Vorcaro.
Outra estranheza foi esse mesmo ministro ter determinado que as provas colhidas na investigação não ficassem sob custódia da Polícia Federal (PF), como é de costume. Vale lemrar que, semanas antes, Toffoli já havia desagradado à PF, ao interferir nas perguntas que uma delegada deveria fazer a um diretor do Banco Central, assumindo o papel de investigador, e não de juiz.
Mas o que mais chamou a atenção foi o fato dos irmãos de Toffoli ter participações num Resort no qual houve transações com um fundo ligado ao Master. Por esse fato, Toffoli deveria se declarar impedido para continuar como ministro relator do processo devido a um conflito de interesse.
Aliás, conflito de interesse que já tinha aparecido, quando a imprensa descobriu que a mulher de Alexandre Moraes tinha um contrato milionário com o Master, muito acima da média das bancas dos advogados de São Paulo.
Em outra esfera de poder, chamou a atenção também a insistência repentina do Tribunal de Contas da União (TCU) em questionar o trabalho do BC.
Com tantas estranhezas, conexões políticas e conflitos de interesse, se a verdade vier à toa, talvez caia a República.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.



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