Caso Master: Imagine se fosse Bolsonaro…

  • Por Alan Ghani
  • 10/03/2026 06h00
  • BlueSky
Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil Brasília (DF) 14/09/2025 O ex-presidente Jair Bolsonaro, acompanhado de seu filho, Jair Renan, deixa hospital sob forte esquema de segurança, após passar por procedimentos. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil Brasília (DF) 14/09/2025 O ex-presidente Jair Bolsonaro, acompanhado de seu filho, Jair Renan, deixa hospital sob forte esquema de segurança, após passar por procedimentos. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Já pensou se a mulher de Bolsonaro recebesse R$129 milhões para advogar para um banco, cujo acionista está preso e jamais prestou serviço para esta instituição financeira? E se Bolsonaro trocasse mensagens com este banqueiro pouco antes da sua prisão para bloquear aparentemente a liquidação do seu banco? E se Bolsonaro fosse o sócio oculto de uma empresa que recebeu R$35 milhões de um fundo ligado ao banco de Daniel Vorcaro?

Por muito menos, Bolsonaro foi impedido pelo Supremo Tribunal Federal de indicar o diretor geral da Polícia Federal (PF) por conflito de interesse, por mais que a Constituição Federal desse a ele essa prerrogativa.

O ponto é que, nos últimos tempos, no Brasil vimos a mão da Justiça pesar muito mais para um lado. Quando se tratava de Bolsonaro e seu entorno, tudo valia: buscas e apreensões por conversas privadas de empresários, inquéritos perpétuos, explicações por importunar baleia e depoimentos na PF por um simples tweet.

Agora, o que vem à tona pela imprensa é muito mais grave, mas não assistimos ao mesmo rigor da lei. Não se trata de condenar e tirar conclusões apressadas dos dois ministros envolvidos com Daniel Vorcaro, pessoal e financeiramente. É claro que a presunção de inocência é um pilar básico num Estado Democrático de Direito. Mas reconhecer que ninguém está acima da lei e tudo deve ser investigado.

Da mesma forma que a sociedade brasileira quis explicações sobre cartão de vacina, joias, 08 de janeiro, tentativa de golpe, etc., a população também quer saber qual o motivo de um aporte milionário do Master no Resort Tayayá. Ela também gostaria de saber por que motivo um ministro da Suprema Corte trocava mensagens – e as apagava – com um banqueiro, um dia antes da liquidação do Master e momentos antes da sua prisão. Por acaso, esse é o tipo de conduta esperada de juíz da mais alta corte do país?

Ah, se fosse Bolsonaro…

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

  • BlueSky

Comentários

Conteúdo para assinantes. Assine JP Premium.