Consequências da troca de regime no Irã
Desde a Revolução de 1979, o país vive sob uma ditadura teocrática que condena ao povo o atraso político e econômico
Irã vive uma onda de protestos da população civil, que clama por mais liberdade e melhores condições de vida. Desde a Revolução de 1979, o país vive sob uma ditadura teocrática que condena ao povo o atraso político e econômico.
O Estado Persa até agora já matou milhares de pessoas. Há pelo menos 2000 mortes, de acordo com organizações independentes. Para os EUA, a revolta civil representa uma janela de oportunidade para operar uma mudança de regime.
Não é de hoje que o deepstate norte-americano e os neocons intervém no Irã. Na década de 50, os EUA operaram para colocar um regime alinhado aos interesses norte-americanos. Na década de 80, fomentaram uma guerra entre Irã e Iraque, com apoio dos EUA ao ditador – pasmem – Sadam Saddam Hussein. E, recentemente, Trump lançou bombas com o pretexto de destruir o arsenal nuclear de Teerã, quando, na verdade, buscava-se uma queda do regime dos aiatolás.
Por maior que haja superioridade bélica e econômica americana, a queda do regime iraniano não é trivial. O país tem recursos energéticos, alimentos, uma população educada e indústria de base – situação bem diferente da Venezuela. Além disso, o país conta com apoio da Rússia e da China.
Dada a complexidade de uma invasão terrestre, é provável que os EUA apoiem e financiem os grupos civis insurgentes e realizem ataques aéreos no país. A queda do regime por uma ação externa é sempre uma faca de dois gumes. Por um lado, significa, de imediato, o fim de uma ditadura; por outro, pode jogar o país num caos, com banho de sangue e guerra civil.
A primavera árabe e a ocupação americana do Iraque mostram que a queda do regime piorou ainda mais a situação dos países árabes. Vale lembrar que o grupo terrorista Estado Islâmico nasceu após a invasão do Iraque. Por que no Irã seria diferente?
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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