Consequências da troca de regime no Irã

Desde a Revolução de 1979, o país vive sob uma ditadura teocrática que condena ao povo o atraso político e econômico

  • Por Alan Ghani
  • 14/01/2026 23h00
  • BlueSky
Foto por CARLOS JASSO / AFP Manifestantes queimam imagens do aiatolá Ali Khamenei durante um protesto em solidariedade à revolta iraniana, organizado pelo Conselho Nacional da Resistência do Irã, em Whitehall, no centro de Londres, em 11 de janeiro de 2026, para protestar contra a repressão do regime iraniano ao acesso à internet e "reconhecer seu direito à autodefesa contra as forças do regime". Pelo menos 192 pessoas foram mortas em duas semanas de protestos contra o governo e a crise econômica no Irã, disse um grupo de direitos humanos no domingo, um aumento acentuado em relação ao número anterior de 51 mortos. Manifestantes queimam imagens do aiatolá Ali Khamenei durante um protesto em solidariedade à revolta iraniana

Irã vive uma onda de protestos da população civil, que clama por mais liberdade e melhores condições de vida. Desde a Revolução de 1979, o país vive sob uma ditadura teocrática que condena ao povo o atraso político e econômico.

O Estado Persa até agora já matou milhares de pessoas. Há pelo menos 2000 mortes, de acordo com organizações independentes. Para os EUA, a revolta civil representa uma janela de oportunidade para operar uma mudança de regime.

Não é de hoje que o deepstate norte-americano e os neocons intervém no Irã. Na década de 50, os EUA operaram para colocar um regime alinhado aos interesses norte-americanos. Na década de 80, fomentaram uma guerra entre Irã e Iraque, com apoio dos EUA ao ditador – pasmem – Sadam Saddam Hussein. E, recentemente, Trump lançou bombas com o pretexto de destruir o arsenal nuclear de Teerã, quando, na verdade, buscava-se uma queda do regime dos aiatolás.

Por maior que haja superioridade bélica e econômica americana, a queda do regime iraniano não é trivial. O país tem recursos energéticos, alimentos, uma população educada e indústria de base – situação bem diferente da Venezuela. Além disso, o país conta com apoio da Rússia e da China.

Dada a complexidade de uma invasão terrestre, é provável que os EUA apoiem e financiem os grupos civis insurgentes e realizem ataques aéreos no país. A queda do regime por uma ação externa é sempre uma faca de dois gumes. Por um lado, significa, de imediato, o fim de uma ditadura; por outro, pode jogar o país num caos, com banho de sangue e guerra civil.
A primavera árabe e a ocupação americana do Iraque mostram que a queda do regime piorou ainda mais a situação dos países árabes. Vale lembrar que o grupo terrorista Estado Islâmico nasceu após a invasão do Iraque. Por que no Irã seria diferente?

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

  • BlueSky

Comentários

Conteúdo para assinantes. Assine JP Premium.