Discurso de Haddad sobre fiscal não cola
O ministro da Fazenda Fernando Haddad insiste em dizer que a situação fiscal do Brasil está controlada e só não está melhor porque este governo herdou um déficit da gestão anterior
A fala do ministro contém um grave erro conceitual básico. Resultado de governo (déficit ou superávit) é um fluxo medido no tempo, e não uma variável estoque acumulativa. De uma maneira mais simples, se é apurado um déficit num ano; no período seguinte, a conta zera e é calculado tudo novamente. É diferente da dívida, que se acumula ao longo do tempo.
Outro ponto do discurso que chama a atenção é que o ministro ignora totalmente que a meta fiscal foi batida não computando despesas no cálculo, como precatórios e parte de gastos com educação e saúde.
O problema é que não levar em conta no cálculo não significa que as contas públicas estejam em ordem. Pelo contrário, o endividamento só cresce com perspectiva de aumentar ainda mais em 2026.
A estratégia de Haddad em culpar o governo anterior pela incompetência fiscal é tática antiga do PT. Quem não se lembra da “herança maldita” do FHC. Essa narrativa não cola mais. E, na verdade, Haddad sairá do ministério, deixando uma bomba fiscal para 2027, que não vai resistir à nenhuma narrativa e nem à contabilidade criativa.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.
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