Governo é culpado pela demora para a queda da Selic

Copom contratou corte na taxa básica de juros para a próxima reunião, caso as condições não se alterem

  • Por Alan Ghani
  • 29/01/2026 21h42 - Atualizado em 29/01/2026 22h15
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© Tânia Rêgo/Agência Brasil Lula presta solidariedade a famílias de vítimas de tornado no Paraná Governo federal, com a expansão do gasto traz pressões inflacionárias

Conforme esperado pelo mercado financeiro, o Banco Central (Bacen) manteve inalterada a Selic em 15% a.a. Embora a inflação tenha arrefecido, o Bacen justifica que as expectativas inflacionárias, medidas pelo relatório Focus, se encontram ainda acima do centro da meta e a atividade econômica, embora em desaceleração, apresenta certa resiliência. Além disso, o Banco Central alerta para as incertezas internacionais (geopolíticas, guerra tarifária) e para a persistente inflação de serviços para justificar a sua decisão.

Apesar de todos esses fatores levantados pelo Bacen para justificar a decisão de manutenção da Selic, o Copom contratou corte na taxa básica de juros para a próxima reunião, caso as condições não se alterem.

A verdade é que a taxa Selic já poderia ter caído há muito tempo se não fosse a deterioração fiscal do Brasil. O elevado gasto público pressiona a demanda acima da capacidade de oferta, trazendo pressões inflacionárias. Além disso, a política monetária perde eficácia, obrigando o Banco Central a trabalhar em dobro, elevando ainda mais a taxa de juros para compensar a política fiscal expansionista gerada pelo governo federal.

De um lado, o governo federal, com a expansão do gasto, sob diversas formas – aumento do salário mínimo e subsídios fiscais e de créditos –, traz pressões inflacionárias; do outro, o Banco Central tem que subir os juros para controlar a alta dos preços ocasionadas por esses estímulos.

Se a política fiscal conversasse mais com a política monetária, certamente não haveria necessidade de juros tão elevados no Brasil.

Essa obviedade econômica é ignorada por agentes políticos que culpam o Banco Central pela Selic elevada, como se a taxa de juro não fosse resultante de um processo inflacionário gerado em boa parte por estímulos artificiais do governo federal.

O maior culpado pelo juro elevado no Brasil e pela demora do corte da Selic é o governo federal, e não o Banco Central, como é ventilado por políticos e empresários.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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