Bolsonaro diminuiu discursos raivosos, mas demonstra estar cansado de tudo

Presidente tem se queixado do trabalho que exerce todos os dias e disse que quando volta ao Alvorada, sente o tamanho do silêncio e da ‘solidão ensurdecedora’

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 21/04/2022 16h43
ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO O presidente Jair Bolsonaro (PL), participa de motociata em São Paulo O presidente Jair Bolsonaro (PL), em motociata realizada em São Paulo no dia 15 de abril

O presidente Bolsonaro não está de bem com a vida. Tem se queixado de tudo. De vez em quando dá uma volta de moto por aí para ver se consegue espairecer um pouco. Mas está difícil. É bem verdade que o presidente maneirou um pouco nos discursos raivosos que costuma fazer. Está falando mais mansamente. Usa até palavras bonitas. Poéticas, não, que aí seria demais. Mas tem tomado mais cuidados. No entanto, não é sempre que procura falar bonitinho. Por exemplo: na terça-feira, 19, Dia do Exército, o presidente participou de um encontro com evangélicos em Cuiabá (MT), para dar início à Marcha para Jesus, e partiu de novo para o ataque contra o Tribunal Superior Eleitoral, um dos seus alvos preferidos, xingando aquela bendita urna eletrônica, na qual não confia. Esse assunto ainda vai dar muito o que falar, seja qual for o resultado das eleições. A verdade é que o presidente não está bem. Dá para sentir uma certa raiva que tenta disfarçar e nem sempre consegue. Nesse encontro com evangélicos, ele disse que se sente um presidiário usando tornozeleira eletrônica no Palácio da Alvorada, sua residência oficial. É a palavra de um presidente da República. Tem-se que saber por que ele se sente assim. 

As palavras de um presidente nunca são gratuitas. Sempre que fala, quer acertar alguém. Bolsonaro se queixou de tudo, inclusive do trabalho que enfrenta todos os dias como presidente do país. É muita dificuldade. Disse que à noite, quando volta para o Alvorada, sente o tamanho do silêncio e da “solidão ensurdecedora”. E é nessas ocasiões que se sente um presidiário usando tornozeleira. As coisas em Cuiabá não correram tão bem como se esperava. Bolsonaro chegou ao encontro à frente de uma motociata, que contou com 325 motociclistas, o que foi um fracasso, porque a expectativa dos organizadores era que o desfile contaria com 5 mil. Dentro da Igreja Comunidades das Nações, Bolsonaro afirmou que, como presidente, tem uma missão a cumprir no Brasil. Mas adiantou: “Cada um tem a sua cruz, e sabendo quem é o Senhor, nós venceremos qualquer obstáculo”. 

Seja como for, o presidente observou que está colaborando com o país, tendo pessoas boas ao seu lado, não apenas os políticos que compõem o seu governo, mas também pastores, padres, cristãos, empresários, servidores e gente do povo. Bolsonaro alertou os evangélicos para o que chama de “vale-tudo eleitoral” e a sede de poder de muitos. Adiantou que todos têm que saber escolher e lembrar do país de alguns anos atrás, referindo-se aos governos do PT, no qual o objetivo maior era roubar o erário. Isso não pode voltar. O país não suportará mais um golpe de corrupção como aquele. Por isso, a escolha na eleição de outubro tem de ser certa. Não pode haver erro. Bolsonaro demonstra estar mesmo preocupado com essas coisas todas. Procura demonstrar estar mais calmo, mas não está. Como garante, ele é um presidiário com tornozeleira eletrônica para vigiar seus passos. O presidente demonstra estar cansado. Tem que ser mais ou menos delicado, mas a vontade deve ser explodir de tudo de uma vez.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.