China se afasta do Brasil, e eleições de 2022 podem interferir na relação entre os países

Artigo do ‘The Economist’ analisa como a parceira entre as nações de Bolsonaro e de Xi Jinping está prejudicada

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 01/03/2022 13h18
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins Xi Jinping de terno Xi Jinping é o atual presidente da China

Certamente a invasão da Rússia à Ucrânia vai piorar muito uma situação que já vinha se mostrando há alguns meses. Uma covardia que o Brasil prefere ignorar, mantendo-se neutro. Faz tempo que a China está com um pé atrás em relação ao Brasil. A situação tende a piorar cada vez mais. Não que o Brasil tenha alguma coisa a ver com o conflito. Não. Afinal, o presidente Bolsonaro visitou Putin recentemente, oferecendo a solidariedade brasileira. No fundo, o Brasil não significa nada. Mas a China está se afastando do Brasil. Mas do Brasil que aí está, esse que ninguém mais reconhece. Nunca fomos um país exemplar, mas agora passamos do limite em nossa estupidez e inércia. Um país que não tem rumo certo. Uma gandaia. Os dois candidatos mais fortes que disputam a presidência deixam tudo a desejar.

Um deles chega a ser chamado de psicopata, tal o comportamento nefasto que tem diante dos problemas nacionais, o que ficou explícito no período da pandemia. Um homem despreparado para o cargo que exerce. Enquanto os brasileiros morriam nas portas dos hospitais, contaminados pela Covid, ele passeava de moto com uma legião de mentecaptos radicais. O outro foi parar na cadeia por ser o chefe da quadrilha que mais roubou dinheiro público na história brasileira. Conseguiu ser solto por um golpe do que no Brasil se chama Supremo Tribunal Federal. As autoridades chinesas estão preocupadas com esse cenário desolador. Resumidamente é o que diz a revista The Economist, em artigo recente que trata das relações da China com o Brasil sob o governo do presidente Jair Bolsonaro. O título do artigo de The Economist é, em tradução literal, “Apesar do comércio próspero, a relação da China com o Brasil está enfraquecendo”.

A revista acentua que jamais a relação entre os dois países foi tão estreita, mas nunca pior como atualmente. Por esse motivo, a China está usando de toda a cautela para tratar com o Brasil. Lembra os insultos dirigidos à China logo no início da pandemia, especialmente pela família Bolsonaro, no caso o presidente e os filhos e também alguns ministros desequilibrados. Observa que o próprio presidente Bolsonaro chegou a dizer que o coronavirus poderia ser uma guerra química. Essas ofensas não foram esquecidas pelo governo chinês. Tantos insultos prejudicaram o que a revista chama de “relacionamento fluído e positivo” entre a China e o Brasil. O The Economist observa que o Brasil deveria se esforçar mais para atrair investimentos chineses, mas isso não acontece. Só ocorre por iniciativa de governadores, sem o aval do governo federal.

Como exemplo positivo, a revista cita o governador de São Paulo, João Doria, que montou um escritório em Xangai, em 2019, que acabou sendo fundamental para fechar um acordo com a Sinovac para a exportação de vacinas contra a Covid. A revista britânica diz que, às vezes, a China dá um toque para o Brasil sair desse estado de hostilidade. Isso ocorreu quando a China decidiu embargar a carne brasileira por três meses em 2021 e o impacto que teve nas exportações brasileiras. Foi um aviso. Mas parece que o Brasil não se tocou. Melhor dizendo, parece que o presidente Bolsonaro não se toca. A revista observa que a eleição de outubro vai ajudar a determinar o futuro da relação. E diz que se Luiz Inácio da Silva for o vencedor, é quase certo que ele tentará consertar os laços. Finalmente, The Economist observa que, no entanto, “atrair investidores chineses pode ser muito difícil numa segunda vez”. Uma análise correta. Este é um país que faz questão de andar na contramão.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.