Moro e Bolsonaro disputam afetos nos mesmos setores

Ex-juiz começa a se aproximar dos grupos que foram decisivos na eleição do presidente em 2018 e tem encontrado receptividade

  • Por Álvaro Alves de Faria
  • 29/11/2021 12h30
Marcos Corrêa/PRMoro se filiou ao Podemos e deve ser pré-candidato à presidência em 2022

A terceira via para a eleição presidencial de 2022 começa a tomar forma com a figura do ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro. Os que estão seguindo Moro já dizem que ele é do partido da Lava Jato, operação que levou para a cadeia os maiores ladrões poderosos do Brasil. A luta maior em busca de apoios decisivos para 2022 está ocorrendo especialmente entre o ex-juiz Sergio Moro e o presidente Bolsonaro. Luiz Inácio está fora dessa contenda. Sempre enrustido, Lula prefere assistir. Pior é que Moro tem em mente viajar para o Nordeste em busca de votos, exatamente um reduto eleitoral do ex-presidente. A movimentação política do momento remete a Bolsonaro e a Moro. E os dois sabem muito bem a quem devem conquistar. Moro (Podemos) começa a se aproximar dos grupos que foram decisivos na eleição de Bolsonaro em 2018. E tem encontrado receptividade. A ordem é cativar o eleitorado de direita e centro-direita. Quer dizer: os dois estão disputando afetos nos mesmos setores.

Está certo que, em 2018, Bolsonaro teve ajuda de todos que não querem mais ver o PT nem de longe. Todos esses descarregaram seus votos contra Fernando Haddad, que representava o PT, com o gosto de vingança por tudo de mal que esse partido fez ao país, coisa de gatunos e quadrilheiros, em que o roubo e o assalto estão em primeiro lugar. Sergio Moro já conta com um grupo considerável de trabalho em favor de sua candidatura, o que ocorreu logo após o ingresso ao Podemos do general Santos Cruz, ex-ministro da secretaria geral de Bolsonaro, que acabou exonerado por não concordar com a política do governo. Foi uma conquista de peso. Para Sergio Moro, o general Santos Cruz significa atrair para sua campanha parte das Forças Armadas que se afastou ou vem se afastando do presidente.

Faz alguns dias, Moro utilizou as redes sociais e informou que estava reunido com o general Santos Cruz e outro general do Exército, Otávio Rego Barros, ex-porta-voz de Bolsonaro, que também deixou o governo por não concordar com a conduta de Bolsonaro. Moro informou que os três estavam discutindo a transparência no serviço público. Bolsonaro, por seu lado, também está se mexendo, embora essa movimentação ainda não é de todo conhecida. Bolsonaro tem intensificado sua agenda para participar de qualquer evento das Forças Armadas. Qualquer mesmo. Confirma presença em todas e troca afagos até com muitos que se tornaram desafetos. Na sexta-feira, 16, por exemplo, o presidente compareceu à cerimônia de formatura da Brigada de Infantaria de Paraquedistas do Exército, no Rio de Janeiro. No sábado, 27, Bolsonaro deslocou-se para um outro evento de formatura de Cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, instituição em que o próprio presidente estudou e na qual conheceu o general Santos Cruz.

Quando se filiou ao Podemos, Moro afirmou que uma de suas prioridades de governo seria restabelecer e valorizar as Forças Armadas, observando que as Forças Armadas pertencem ao Estado e não ao governo. Textualmente: “Vamos respeitar as Forças Armadas como uma instituição de Estado e jamais para ser utilizadas para promover ambições pessoais ou interesses eleitorais”. Bolsonaro e Sergio Moro também têm trabalhado para conquistar o apoio do União Brasil, partido que resultou da junção entre o DEM e o PSL, que contará com longo tempo de televisão na campanha eleitoral. Nesse caso, o União Brasil está dividido entre os dois candidatos. A disputa está sendo furiosa. Sergio Moro está agora tentando conquistar o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Os dois já conversaram na semana passada. Por enquanto, essa busca de apoio segue um caminho mais ou menos civilizado. Mas Bolsonaro mostra-se preocupado, até porque, como revelam algumas pesquisas, Moro foi direto para o terceiro lugar nas intenções de voto, superando até Ciro Gomes. E estando preocupado, o presidente também começou a se movimentar para evitar um desastre qualquer com o qual ele não conta, mas pode acontecer.  

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.