Marinho diz ver Tarcísio e Flávio alinhados: ‘Estaremos juntos contra o PT’
O senador Rogério Marinho (PL-RN) disse que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, está alinhado com a família Bolsonaro. Em entrevista à coluna, o ex-ministro declarou que o apoio de Tarcísio a Flávio mostra que a direita está alinhada para as próximas eleições: “Estamos e estaremos todos juntos contra o adversário comum que é o PT”, afirmou.
Na última sexta-feira (23), Tarcísio declarou que apoia a pré-candidatura do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Sempre falei do meu respeito e minha lealdade ao presidente Bolsonaro. O meu candidato é Bolsonaro ou quem ele indicar. Ele indicou o Flávio, então quem é o meu nome a partir de agora? É o Flávio Bolsonaro, nada diferente do que eu falo desde 2023”, disse Tarcísio.
O governador também disse que a especulação sobre ele ser candidato a presidência é normal pela posição de comando em São Paulo, e que não deixará o cargo em abril.
Tarcísio também aproveitou a ocasião para dar sua versão do motivo do cancelamento de sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro na “Papudinha”, no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília, que estava marcada para a última quinta-feira (22).
“O cancelamento é questão de agenda. Não tem nada a ver. Quando você marca uma visita, o tribunal atribui uma data. O que pode acontecer é que naquela data não ser possível por uma razão qualquer. Eu tinha uma razão pessoal e não podia ir naquela data. Imediatamente pedi outra data”, explicou.
A data da nova visita será na próxima quinta-feira (29).
Visita cancelada e tensão
Tarcísio cancelou sua visita a Jair Bolsonaro, que aconteceria nesta quinta-feira (22) e havia sido solicitada pelo próprio ex-presidente. O governador de São Paulo não tinha compromissos marcados. No dia em que visitaria o ex-presidente, preso em Brasília, o chefe do Executivo paulista deixou a agenda vazia, o que tem sido interpretado como um “recado claro” à família Bolsonaro.
Interlocutores avaliam que Tarcísio ficou extremamente desconfortável com a pressão que vem sofrendo para apoiar publicamente o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, em sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto.
Segundo um membro do alto escalão do Palácio dos Bandeirantes, declarações recentes de Flávio à imprensa, citando que Bolsonaro pediria apoio mais explícito ao filho, foram lidas como ameaças. Pesam, também, as recentes declarações de membros do PP sobre o assunto.
Centrão minimiza atritos
Líderes do Centrão tem minimizado os recentes ruídos entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o senador Flávio Bolsonaro (PL). À coluna, caciques dos partidos citaram que ainda falta muito tempo para a eleição, mas observam um encaminhamento de Tarcísio à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse ter “certeza do apoio do Tarcísio [à Flávio]”, completando que ele “é um homem sério”. “Seria melhor, na minha opinião, que todos se unissem ao Flávio. Se isso não acontecer, o resultado será o mesmo. Flávio e Lula no segundo turno”. No dia anterior, também em conversa exclusiva com a Jovem Pan, negou que haja tensão entre a família Bolsonaro e o governador de São Paulo.
Além de Valdemar, outros cabeças de partido não quiseram se identificar, mas falaram com a reportagem sob condição de reserva. Para um importante líder, fica claro que não há racha quando, logo depois do “recado” que tentou passar à Flávio, Tarcísio marca nova data para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Há irritação, há rusga. Mas é uma relação de interdependência. Ainda não percebo racha. Eles se resolvem”, disse a fonte.
Ele reitera que Tarcísio deve ser candidato à reeleição, assim como outro cacique, que acredita que ajustes serão feitos. “O desentendimento é fruto de tempos diferentes. Tarcísio não quer mergulhar agora e Flávio quer. Mas Tarcísio ainda vai entrar de cabeça, no tempo dele. Flavio não vai desistir”, reiterou.
Há quem acredite, no entanto, dentro do Centrão, que ainda é muito cedo para fazer grandes definições, e que o momento ainda é de negociações estaduais antes de se pensar no macro.
Vale lembrar que, apesar da tendência à reeleição neste momento, como vem relatando a coluna, a equipe de Tarcísio também trabalha com um “plano B”. O foco está na campanha ao governo do Estado, mas há preparação para mudar o jogo, se necessário.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.
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