Largar o emprego, montar um negócio ou viajar sozinha para qualquer lugar: A beleza da independência

Ser independente para mim é ligar para minha mãe para perguntar o que fazer só porque eu quero, não porque eu preciso; é escolher não ouvir opinião que não pedi

  • Por Bia Garbato
  • 16/02/2022 11h00 - Atualizado em 16/02/2022 12h23
Reprodução/Freepik Mulher medita com mar ao fundo Independência pode ser viajar sozinha para qualquer lugar acompanhada de um Ray-Ban e um Kindle

Ser independente para mim é ligar para minha mãe para perguntar o que fazer só porque eu quero, não porque eu preciso. É querer ligar para o meu pai para dizer que cheguei bem, mesmo tendo 40 anos e um filho. É pedir para a minha irmã me acompanhar no dentista, só porque estou com medo e tenho coragem de assumir. É ligar para a pediatra perguntando o que fazer para a tosse do meu filho e acabar resolvendo do meu jeito com meia cebola embaixo da cama. É deixá-lo dormir comigo e não contar para ninguém, porque independência mesmo é escolher não ouvir opinião que não pedi.

É marcar uma plástica, pagar, ouvir que não tem necessidade, que é um risco por um motivo fútil, agradecer a preocupação e fazer mesmo assim. E depois disso, deixar o maiô de lado e assumir o biquíni (mesmo com uma ou outra cicatriz). Ser independente é não casar com um cara machista. E, se casar, cair fora. É casar de véu e grinalda em um gramado cheio de flores do campo. Ou juntar os trapinhos e celebrar com uma pizza sob o mesmo teto. É abrir sozinha o zíper do vestido ou pedir para o marido abrir e se aproveitar disso. É decidir não ter filhos ou ter quatros filhos, se eu quiser. É escolher não beber, mas ser a mais animada da festa. É escolher bem o que comer, mas mandar uma coxinha de vez em quando. É largar um emprego para montar um negócio. E decidir que não é para mim e arrumar um emprego. É escolher não trabalhar e acompanhar cada evolução do meu filho. Ou trabalhar o dia inteiro sem culpa e curtir cada momento que estou com ele.

É vender o carro e andar de bicicleta. Ou ter medo de andar de bicicleta, andar de Uber e ok. É viajar sozinha para qualquer lugar acompanhada de um Ray-Ban e um Kindle. Mas fazer Facetime para a melhor amiga do alto da Torre Eiffel, porque queria dividir com ela o momento. Deixar de ligar pra quem me magoou ou decidir pedir desculpas, mesmo achando que não tenho culpa, só para fazer as pazes. Ser independente é achar que quando meu filho sair de casa eu vou morrer, mas guardar isso só para mim porque, afinal, tudo que eu quero é que ele seja independente como eu aprendi a ser.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.