Minha vida com cachorro: meu tapete nunca mais foi o mesmo

Nunca gostei de cachorros, mas desde que eu conheci a Amora, a vira-lata mais bonita dos canis, eu e ela sabemos: somos da mesma família

  • Por Bia Garbato
  • 25/08/2021 10h00
Unsplash/Lars Millberg Sou eu que cuido da Amora; não deixo faltar nada: ração balanceada, biscoitinho, brinquedinhos e condicionador

Eu nunca gostei de cachorro. É difícil falar isso. Muitas pessoas acham que, por isso, eu não gosto de criança, arranco flores por aí e não como chocolate (quem não come chocolate?). Nada a ver. Meu coração não é apaixonado por latidos, mas não quer dizer que eu os odeie ou queira mal a um bichinho. Quando eu chego numa casa que tem um pet, o filhinho peludo vem logo me cheirar. Desculpa, sou só eu que tem nojo de um focinho molhado? Eu quero morrer. O dono já solta: “Ah, ele gostou de você, tá querendo brincar”. Sem saída, eu digo logo que tenho medo de cachorro (pega bem melhor do que dizer que não gosto). Mas, às vezes, o tiro sai pela culatra. Você diz que tem medo de cachorro e a pessoa entende: “Me ajude a perder esse maldito medo, pelo amor de Deus!” Então ela segura o animalzinho (que pode ser de Fila à Lulu da Pomerânia) e me chama insistentemente para passar a mão nele, repetindo: “Ele não faz nada!” Sério? Mas você faz!

Aí você me pergunta: “Você nunca teve cachorro, né?” Não, amor, eu tive cachorro a minha vida inteira. Tudo começou com o Roberto, um Beagle da “pá virada”. Depois, infelizmente, Bob faleceu e fiquei muito chateada (calma, eu tenho coração). Quando eu já estava me acostumando com o quintal vazio, surgiu a Cristal, outra Beagle hiperativa, que tumultuou a minha vida. Mudamos e tivemos que doar a Cristal. Mas, com a mudança, veio a Brownie, uma labradora chocolate de olho azul (quem me dera parecer com ela) e obesa (estou bem assim, obrigada). Brownie fazia natação e tinha nutricionista. Ela fez parte da nossa adolescência e isso inclui ter fumado maconha. Depois de uma vida longa, Brownie se foi. Casei, nasceu o Antônio. Quando eu estava em paz no meu mundo sem pelos, veio a fatídica frase que toda mãe escuta em algum momento da vida: “Mãe, eu quero um cachorro, por favor.” A princípio a resposta foi não, claro: “Filho, dá trabalho, despesa, faz cocô, e quando formos viajar?” A partir daí, a caixa de Pandora foi aberta.

Toda semana meu filho e meu marido vinham com uma foto de um vira-lata para adoção. Cada um mais ardido do que o outro. Quando eu já estava quase perdendo, uma amiga anunciou que estava doando uma filhote da cachorrinha dela. Foi aí que eu conheci a Amora, a vira-lata mais bonita dos canis. Uma espécie de Priscila da TV Colosso tamanho médio, muito inteligente e boa praça. Como eu estava reticente, minha amiga nos “emprestou” a bichinha por uma semana. Meu tapete nunca mais foi o mesmo. Sou eu que cuido da Amora. Não deixo faltar nada: ração balanceada, biscoitinho, brinquedinhos e condicionador. Eu ainda não durmo abraçada com ela. E provavelmente nunca vou. Mas eu sei e ela sabe. Somos da mesma família.