Guardar rancor faz mal e pode até causar doenças; veja dicas para perdoar e seguir em frente

Danos cardiovasculares e enfermidades autoimunes estão entre as possíveis sequelas; além disso, há o risco de a pessoa magoada cometer alguma transgressão no futuro

  • Por Camila Magalhães
  • 21/10/2021 10h00
wayhomestudio - br.freepik.comRancor é uma mistura de ressentimento, hostilidade, raiva e medo

Desde a infância, nós somos ensinados a pedir desculpas e a perdoar. Mas, conforme crescemos, as decepções são mais doloridas e complicadas de superar. Eventualmente, perdoar fica tão difícil quanto praticar esportes: é ideal, saudável, parece ótimo na teoria, mas, para muitas pessoas, difícil de colocar em prática. Perdoar implica em desapegar dos sentimentos negativos em relação a alguém que fez algum mal a nós. O rancor, por outro lado, é uma mistura de ressentimento, hostilidade, raiva, medo. A permanência deste estado mental pode até provocar consequências fisiológicas, como danos cardiovasculares e doenças autoimunes

Embora seja difícil, especialmente quando a outra pessoa que te fez mal não pede desculpas, alguns estudos sugerem que perdoar diminui as chances de ter depressão e de usar remédios, além de aumentar a satisfação com a vida. Guardar rancor pode aumentar as chances de a pessoa cometer alguma transgressão no futuro. Um exemplo disso são os resultados de uma pesquisa em que alunos que sofreram bullying na internet e tiveram dificuldade de perdoar ou elaborar a mágoa que sentiram de seus agressores se mostraram mais propensos a praticar o cyberbullying.

Sentir rancor não é agradável. Por isso, nossa mente usa estratégias para reduzir este sentimento. A negação, a vingança, a busca por reparação e a criação de uma narrativa para entender o que aconteceu são algumas delas. A outra opção é perdoar e simplesmente seguir a vida em frente. De toda forma, precisamos compreender que ser magoado por outras pessoas é uma parte inevitável da vida. Mas ruminar ofensas passadas é um sofrimento opcional. Em última instância, perdoar alguém implica em uma escolha. Pode ser que você nunca se sinta pronto para desapegar do rancor, mas, independentemente, essa decisão deve partir de você. E, para facilitar o processo, eu te dou algumas dicas:

  • Dê tempo ao tempo! Por mais clichê que possa parecer, uma pesquisa que criou um modelo matemático para testar o efeito do tempo na capacidade de perdoar mostrou que, a partir de um período de três meses, o rancor pode ir embora ou diminuir muito;
  • Confie mais em você! Considerando que a decisão de perdoar é uma escolha sua, trabalhar a autoeficácia ajuda a encarar aquela situação desagradável como um aprendizado que faz parte da vida;
  • Por fim, foque no futuro, pois mudar o passado não é possível. Você pode treinar habilidades que te ajudem com situações futuras. Uma delas é a assertividade, que nada mais é do que você sinalizar e deixar bem claro quando as atitudes de alguém te desagradam.

Quer sugerir um tema? Escreva pra mim: @dra.camilamagalhaes.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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