Perspectivas econômicas do país estão atreladas à pandemia e à política

Em princípio, se conta com retomada mais firme da economia no segundo semestre, mas isso depende de questões como o controle da Covid-19, desdobramentos da CPI e corrida eleitoral para 2022

  • Por Denise Campos de Toledo
  • 19/04/2021 13h45 - Atualizado em 19/04/2021 14h24
Waldemir Barreto/Agência Senado - 10/02/2021Opositor do governo federal, o senador Renan Calheiros será o relator da CPÌ da Covid-19

A economia brasileira vive hoje na expectativa de um lado, do controle maior da pandemia, especialmente com avanço da vacinação, e, de outro, de um maior entendimento no campo político, entre o Congresso e Executivo, sem que os embates levem a novas intervenções do Judiciário. No que se refere à pandemia, fica evidente que só o controle vai assegurar a retomada das atividades, sem as constantes restrições. Os indicadores dos vários setores deixam isso muito claro, como ocorreu em fevereiro. Mesmo com a interrupção do auxílio emergencial na virada do ano, indústria, comércio e serviços tiveram expansão, o que já refletiu no IBC-Br, prévia do PIB do Banco Central, que registrou avanço de 1,7% sobre janeiro e de 0,98% sobre fevereiro de 2020, mês anterior ao começo da pandemia.

Só que depois os casos de contaminação dispararam, as medidas restritivas aumentaram e se conta até com variações negativas do PIB em março e abril, podendo comprometer os resultados trimestrais, inclusive, com possível recessão técnica. Em função dessas idas e vindas, o mercado não para de cortar as previsões quanto à atividade do ano. O relatório Focus desta semana, também do BC, trouxe o mercado prevendo, na média, expansão de 3,04% do PIB em 2021, o que nem compensaria a retração do ano passado. E isso com inflação e juros mais altos. A projeção do IPCA subiu para 4,92% e da Selic está em 5,25%.

Na questão de inflação e juros, é bom ressaltar que também está presente o componente político, as incertezas de cenário que, há bastante tempo, vêm mantendo o dólar mais alto, pesando na formação de preços, também influenciada por outros fatores, como as altas de commodities no exterior. Mas o ambiente seria bem mais favorável para o controle da inflação não fossem os embates em relação a tudo o que se refere à pandemia. Situação que levou até à instalação da CPI da Covid-19, que será mais um fator de instabilidade, além do impasse em torno do Orçamento deste ano, das questões mais urgentes a serem resolvidas e de toda a agenda econômica, comprometidos pela falta de uma coordenação política mais eficiente.

Daí as dúvidas quanto ao que se pode esperar, de fato, da economia. Em princípio, se conta com uma retomada mais firme da atividade no segundo semestre, estabelecidas perspectivas melhores para a questão fiscal e para a vacinação. Mas será que isso vai acontecer mesmo? O jogo de forças político não vai continuar travando ou deturpando decisões relevantes, atrasando toda a agenda? Nesta semana, poderemos ter algumas indicações relevantes. Está acabando o prazo para sanção do Orçamento, a CPI da Covid-19 deve dar os primeiros passos, prosseguem as negociações para aquisição de vacinas e medicamentos básicos de tratamento, nas internações.

Ainda teremos a Cúpula do Clima, que pode, quem sabe, definir uma nova postura do governo, facilitando as relações externas, que podem ajudar o Brasil em várias frentes. Sem esquecer do Supremo, que vai retornar do feriado de quarta também com decisões importantes no que diz respeito ao cenário político. Enfim, os rumos da economia estão muito atrelados à gestão da pandemia e aos ventos políticos, já contaminados pelas eleições de 2022. E essa é uma avaliação que vem até da própria equipe econômica. Nas indicações quanto ao ritmo de atividade e à política de juros, a questão fiscal, o avanço das reformas e da vacinação, já há algum tempo, são colocados como pontos decisivos para um cenário mais benigno.