Acordo UE Mercosul tem desafios, mas com boas perspectivas

Esse acordo é visto como maior que UE-Japão, UE-Canadá, ou EUA-Canadá-México

  • Por Denise Campos
  • 09/01/2026 17h10
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Ricardo Stuckert/PR/Divulgação Ursula Von der Leyn e Lula posam com as mãos entrelaçadas; atrás, as bandeiras do Brasil e da União Europeia Acordo UE-Mercosul está previsto para ser assinado no dia 17 de janeiro

O acordo entre União Europeia e Mercosul pode representar um grande avanço, não só para os dois blocos, mas em termos da nova configuração global, que passa por grandes mudanças após a tarifação de Trump, que reverteu principais da globalização. Situação que, aliás, pode estar colaborando para o entendimento, após 26 anos de negociações. Esse acordo é visto como maior que UE-Japão, UE-Canadá, ou EUA-Canadá-México. Sendo que neste último caso, as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos e ameaças de invasão ao México, na busca por narcotraficantes, traz importante fragilidade.

Antes de maiores comemorações, é importante lembrar que dos 27 Estados-membros da União Europeia, França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria, foram contra enquanto a Bélgica se absteve.

O acordo terá de passar pelo Parlamento Europeu, que pode ter deputados contrários, com possibilidade até de recursos na Justiça. Isso no que se refere às regras comerciais. Já a parte política, como questões ambientais, colocadas até como instrumento para frear a concorrência, terá de passar pelos Parlamentos nacionais. O mesmo deve ocorrer com os integrantes do Mercosul. Se o Brasil sair na frente, as mudanças já poderão ter aplicação bilateral.

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As salvaguardas aprovadas pelo Parlamento europeu, para derrubar as resistências, diminuem o potencial de resultados em relação às negociações anteriores. Porém, apesar desses desafios para a conclusão do processo, as perspectivas são bem favoráveis, do ponto de vista da balança comercial, de investimentos, abertura de novos mercados e crescimento da economia a médio prazo.

O PIB brasileiro pode ter expansão adicional de 0,46% (ou US$ 9,3 bilhões a preços de 2023) em 17 anos, segundo estimativa do IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Parece pouco, mas não é.

A balança comercial, com toda a força do agro brasileiro, pode ganhar US$ 302,6 milhões.  Mas a indústria, que, em princípio, pode enfrentar maior concorrência, também recebeu bem o acordo, que tende a estimular investimentos e a busca por maior competitividade. Para o consumidor fica a possibilidade de redução gradual das tarifas de produtos importados da Europa, como vinhos, azeites, perfumes, chocolates, apenas pra citar os que têm maior apelo consumista.

Enfim, o acordo pode não ser o melhor possível, o que se imaginava, com uma integração mesmo exposta a restrições e salvaguardas, mas representa um relevante avanço para o comércio do País, dos dois blocos, com vários reflexos positivos para o andamento das economias. E o Brasil tende a ser dos mais favorecidos.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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