Vinho natural é para consumo imediato? Saiba tudo sobre a longevidade da bebida

O que é definidor no processo de amadurecimento do vinho é o tripé ‘álcool – tanino – acidez’ e, claro, as opções de métodos de vinificação que o enólogo ou o vinhateiro fazem

  • Por Esper Chacur Filho
  • 07/07/2024 08h00
Arquivo Pessoal/Esper Chacur Filho Garrafa de vinho entre duas taças, em mesa de restaurante O tinto natural L'Anglore - Les Traverses é produzido pelo francês Eric Pfifferling

Os vinhos naturais são aqueles que, objetivamente, se produzem simplesmente de “suco de uva fermentado” e baixíssimas doses do conservante SO2 (sulfitos). Amplio tal conceito para adicionar à classificação a necessidade de utilização, tão só, de adubos naturais às videiras. O enólogo Lucas Simões afirma que “o principal conservante dos vinhos é o dióxido de enxofre, também conhecido como anidrido sulfuroso, SO2, INS 220 ou apenas como sulfito”. Ele é adicionado para evitar contaminações e minimizar os efeitos do oxigênio na bebida. Os defensores mais radicais do vinho natural dizem que nem mesmo essa substância pode ser acrescentada. Porém, uma pequena dosagem é permitida sem que o rótulo deixe de ser considerado natural. Por evidente que um conservante tem por finalidade tornar o vinho mais duradouro (ou longevo), aí deduz-se, erroneamente, que os vinhos naturais são para consumo quase que imediato e que não suportam guardas prolongadas.

Ocorre que não é bem assim, vez que o que faz o vinho deteriorar ou envelhecer é o processo de oxidação e não o de estabilização (seja natural ou induzida). Se a garrafa é armazenada em condições adequadas (pouca luz e com temperaturas fresca e constante) o vinho natural durará o mesmo que um vinho tradicional. A boa armazenagem retarda o processo de oxidação tanto para o vinho natural, quanto para o tradicional. O que é definidor no processo de amadurecimento do vinho é o tripé “álcool – tanino – acidez” e, claro, as opções de métodos de vinificação que o enólogo ou o vinhateiro fazem. 

Há vinhos naturais que resistem a décadas de guarda e cito como exemplo os vinhos do Nicolas Joly, tradicional produtor e enólogo francês, cujas garrafas do seu icônico Les Vieux Clos podem ser (bem) guardadas por décadas. Por sinal, recomenda-se que este vinho branco só seja aberto com mais de dez anos a partir da safra declarada no rótulo. Eric Pfifferling, outro produtor francês de vinhos naturais, faz o tinto L’Anglore – Les Traverses – cujo qual eu mesmo já abri garrafas com mais de quinze anos e que estavam esplendorosas. Mas não só os franceses que produzem vinhos naturais longevos; há muitos italianos, espanhóis, portugueses e por aí afora. O importante é deixar de lado o preconceito e experimentar de tudo. Salut! 

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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