Após fazer história na KPMG, Marianne Coutinho tenta promover diversidade em cargos de liderança

Executiva já foi fiscal da Fuvest, gerente de lojas, promotora de campanha política e se tornou uma das pessoas mais influentes da empresa onde trabalha

  • Por Fabi Saad
  • 20/10/2021 10h00 - Atualizado em 20/10/2021 10h14
DivulgaçãoMarianne Coutinho trabalha na KPMG há 27 anos

Marianne Coutinho, nossa Mulher Positiva desta semana, trabalha na mesma empresa há 27 anos. No mercado de trabalho desde os 15, ela já foi fiscal da Fuvest, gerente de lojas, promotora de campanha política e se tornou uma das pessoas mais influentes da empresa onde trabalha, a KPMG, uma das maiores empresas do mundo o setor de auditoria, consultoria e tributos. “Tenho muito orgulho de ter sido a primeira sócia mulher na área de tax, a segunda na KPMG no Brasil, tendo sido uma das sócias mais jovens de nossa história”, revelou. Ela afirma que seu sonho é “testemunhar as transformações positivas, quer seja no upskilling e reskilling de profissionais, na diversidade nos conselhos e cargos de liderança das empresas ou na igualdade de oportunidades”.

1. Como começou a sua carreira? Comecei a trabalhar formalmente aos 15 anos, como vendedora e gerente nas lojas Pé do Atleta, Chocolate e Zoomp. No comércio, atuei por cinco anos e tive uma experiência incrível no varejo. Foram anos intensos trabalhando longas horas, Natal e Ano Novo, batalhando por comissão, aprendendo a liderar equipes bem mais velhas do que eu e sobre técnicas de vendas e relacionamento com clientes. Antes disso, fazia bicos como fiscal da Fuvest, promotora de campanha política e até desfilei sapatos na televisão. Quando já estudava direito, comecei minha carreira na área de consultoria tributária como trainee na KPMG, onde estou há 27 anos. Tenho muito orgulho de ter sido a primeira sócia mulher na área de tax, a segunda na KPMG no Brasil, tendo sido uma das sócias mais jovens de nossa história. Depois de muitos anos à frente da área de tributação internacional, liderando projetos internacionais de alta complexidade, migrei para área de inovação, transformação digital e tecnologia (tax transformation). Hoje integro nosso comitê de Innovation & Enterprise Solutions, tendo a oportunidade de ajudar nossos profissionais e clientes nessa travessia estimulante rumo ao futuro.

2. Como é formatado o modelo de negócios da KPMG? É uma empresa conhecida globalmente como uma das Big 4 (empresas líderes no setor de auditoria, consultoria e tributos). Ajudamos o mercado e as empresas a atingirem um elevado patamar de compliance, ética e performance, ao mesmo tempo em que possibilitamos que milhares de profissionais construam uma carreira de sucesso, com muito aprendizado, colaboração e propósito. Além da minha atuação como sócia da KPMG, sou co-chair no Brasil da Women Corporate Directors (WCD), uma fundação americana que reúne conselheiras e promove diversidade nos conselhos de administração, e cofundadora do Conselheira 101, programa que fomenta a diversidade racial nos conselhos.

3. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira? Tive três momentos marcantes. O início, certamente foi muito desafiador, pela dificuldade de conciliar estudos e trabalhos num ritmo muito intenso. Meus períodos pós-parto (tenho um filho de 20 anos e uma filha de 12 anos) também representaram uma carga emocional e física muito intensa. E, por fim, minha transição de uma confortável posição de liderança estabelecida para a formação de uma área nova, com muitas habilidades ainda em desenvolvimento, representou um grande desafio. No geral, acredito que os obstáculos servem para ajudar nosso crescimento e representam ótimas oportunidades de reflexão sobre quem somos e sobre o que queremos.

4. Como você consegue equilibrar sua vida pessoal x vida corporativa? Será que esse equilíbrio realmente existe? Para pessoas de alta performance, a dedicação intensa para um lado ou para o outro sempre deixa uma parte descoberta. Acho que faz parte do processo saber em que momentos você deve colocar mais tempo e energia de um lado ou de outro, pesando prós e contras. Nesse momento, é importante deixar a culpa de lado e não querer ser perfeita em tudo. No geral, a perspectiva do todo e do longo prazo são fundamentais para entender seu papel, contribuições e realizações. Mas sempre contei com o apoio da minha família, e isso faz toda a diferença. Pratico atividades físicas diariamente, e inclui a dedicação para novos aprendizados na minha rotina. Por último, saber dizer “não” é libertador e deve ser usado sempre que necessário.

5. Qual seu maior sonho? Meu maior sonho é viver para testemunhar as transformações positivas para as quais tento contribuir, quer seja no upskilling e reskilling de profissionais (atualização de conhecimento e habilidades), na diversidade nos conselhos e cargos de liderança das empresas ou na igualdade de oportunidades. Preferencialmente, em todas.

6. Qual sua maior conquista? Além da minha família e da minha carreira, outro grande ativo é meu networking. Tive a oportunidade de colecionar relacionamentos de grande valor, que me proporcionam amizades, conhecimento, negócios, colaboração, escalabilidade para as iniciativas nas quais atuo e a possibilidade de aproximar pessoas com interesses convergentes.

7. Livro e filme. Livro: “Minha História” (Michelle Obama) e “Uma Terra Prometida” (Barack Obama); filme: “Antônia, Uma Sinfonia”, disponível no Netflix.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.