‘Quando o mundo abriu as portas para a inovação, eu abri também’, conta Juliana Alencar

Empreendedora mais jovem a ganhar o Prêmio G10 de Liderança Feminina deixou StartSe, onde foi a primeira sócia mulher, para criar o próprio hub de inovação

  • Por Fabi Saad
  • 06/04/2022 10h00
Divulgação Juliana Alencar Juliana Alencar criou a hub de inovação W.G. Weird Garage.

Com o objetivo de construir empresas para a nova economia e auxiliar na evolução cultural, Juliana Alencar — mais jovem empreendedora a ganhar o Prêmio G10 de Liderança Feminina — deixou a StartSe, onde foi a primeira sócia mulher, para criar o próprio hub de inovação, a W.G. Weird Garage. Buscando disseminar os aprendizados que obteve ao longo de sua trajetória, a empresa nasceu como parceira da StartSe, com missão profissional de auxiliar negócios através da inovação, cultura e diversidade.

1 – Como começou a sua carreira? Muita gente me pergunta como fui parar em inovação, cultura e pessoas. Está muito atrelado à minha personalidade. Eu sempre fui aquela criança criativa, que cortava cabelo de boneca, que chegava na casa dos amigos dos meus pais e olhava um sofá verde ou um quadro com alguma coisa verde e perguntava: o que veio antes? O que vocês escolheram verde? O que significa verde para vocês? Eu sempre pensava de um modo criativo. Por conta dessa personalidade e criatividade, eu me formei marketing. Trabalhei por dois anos em agências de marketing digital. Então, o mundo acabou abrindo as portas para a inovação, e eu abri também.

Quando lançou o Iphone 1, as empresas começaram a estruturar sua área de inovação, e a Amil, onde trabalhei por quatro anos, estava estruturando projetos de transformação cultural e de transformação digital com conexão para startups. A empresa mandava as dores para a gente e devolvemos com as soluções mais inovadoras possíveis. Eu também liderei a primeira revista de inovação e empreendedorismo em plataforma iPad da América Latina, a One Health Mag, onde era responsável em atualizar com essas novidades. Nisso, eu conheci o pessoal da StartSe, onde eu tive dois grandes papéis: a parte de desenho de projetos de inovação para grandes empresas, responsável pelas inovações corporativas, e a segunda parte, a cadeira de Chief Culture Officer, com o convite do Junior, CEO da StartSe que sempre identificou que eu era muito atrelada às pessoas. Então acabei assumindo a cadeira sendo responsável pela cultura da empresa e desenhar soluções para os clientes serem mais inovadores. E aí decidi ter um formato mais empreendedor e criar a W.G. Weird Garage para atender de forma mais escalável.

2. Como são formatados seus modelos de negócios? Meu negócio, nesse início, tem três frentes de atuação: consultoria de inovação de cultura, com diagnósticos, planos de ação e estratégias, desde criação de cultura da empresa até a transformação. E também uma consultoria próxima para a gente construir juntos com a empresa toda a cultura dela. Segunda frente é a parte educacional, através de mentoria, eventos, workshops e treinamentos para formar lideranças e equipes. A terceira é conexões estratégicas. Muitas vezes é necessário criar coisas dentro de casa, mas muitas vezes a gente se conecta com quem está pronto para conseguir ganhar agilidade e escala.

3. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira? Podemos dizer que o momento mais difícil da minha carreira foi deixar a StartSe, uma empresa que eu gosto muito, que eu construí desde o início para atuar de uma outra forma. Então, foi uma decisão muito difícil, porque realmente eu era muito apaixonada pelo negócio. Mas eu realmente queria muito seguir minhas intenções e ideais com o coração.

4. Como você consegue equilibrar sua vida pessoal x vida corporativa/empreendedora? Eu entendo que para ser 100% uma profissional de alta performance, eu preciso me sentir muito completa nas minhas outras frentes. Preciso me sentir completa como mulher, filha, mãe de pet e pessoa, então eu tento dar prioridade para estas fases. Claro que nem sempre conseguimos equilibrar, mas pelo menos três vezes na semana eu tento praticar exercícios físicos, musculação, yoga, meditação e tento fazer boas escolhas com alimentação. E tento estar muito presente no que eu estou fazendo.

5. Qual seu maior sonho? É que as pessoas consigam gerar impacto de alguma forma, que as pessoas sejam respeitadas e incluídas, independentemente da sua pluralidade e diversidade. Falando das mulheres, especificamente, que elas consigam ser respeitadas, terem as mesmas chances, oportunidades, crescimentos e realizações, independentemente das suas escolhas.

6. Qual sua maior conquista? Foi o Prêmio G10 Liderança Feminina que eu recebi em 2012, como a mulher mais jovem a recebê-lo. Foi a minha maior conquista porque foi muito atrelada aos meus ideias e ao que eu acredito de forma genuína e verdadeira. Foi onde eu vi que muita coisa que eu falava e acreditava não era considerada como um “mimimi”. O prêmio trouxe essa importância e relevância sobre essas questões e o alcance do meu propósito.

7. Livro, filme e mulher que admira. Livros: “As Sete Leis da Espiritualidade”, do Deepak Chopra; “O Milagre do Amanhã”, do Hal Elrod; e “Dedique-se de Coração”, do Howard Schultz. Filme: “King Richard: Criando Campeãs”. Seriado: “Euphoria”. Mulher que admiro: “Luiza Helena Trajano”.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.