Lula será derrotado pela persistente onda anticorrupção e antipetista

Chefe do PT não conseguiu ‘roubar’ o Centrão de Jair Bolsonaro; com a força da máquina, que nunca perdeu reeleição na Nova República, o atual presidente tem toda chance de um novo mandato

  • Por Jorge Serrão
  • 30/03/2022 12h29
João Gabriel Alves/Enquadrar/Estadão Conteúdo - 29/03/2022 Sentado, de paletó xadrez e camiseta preta, Lula coça a testa com a mão esquerda O ex-presidente Lula participa de debate sobre os impactos dos preços dos combustíveis e o futuro da Petrobras, em um hotel no Rio de Janeiro

A eleição 2022 no Brasil, principalmente a sucessão presidencial, será marcada por uma dialética bem simples, na defesa de princípios. A luta do bem contra o mal. Do certo contra o errado. Do honesto contra o corrupto. De quem tem propostas e realizações para melhorar o Brasil contra quem já comprovou que não tem e só praticou má gestão da coisa pública. Pouco ou nada prevalecerá a tão decantada luta entre esquerda e direita (ou “progressistas” versus “conservadores”). A guerra não será predominantemente ideológica — conforme sugerem as batalhas intermináveis nas redes sociais. O eleitor normal, mediano, votará pragmaticamente. As pessoas querem avanços, melhoras, progressos — sobretudo econômicos. Não aceitam retrocessos, inclusive políticos. A maioria deseja uma coisa: segurança! Esse tema vai balizar o resto das pautas da campanha. Vencerá (será eleito) quem tiver mais capacidade de oferecer “segurança” (no sentido amplo do termo).

Por tais motivos, demonstra-se inviável a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. Nem com o melhor e mais milagroso projeto de “marketagem” política do universo o ex-presidente conseguirá reverter a persistente e ainda crescente onda anticorrupção — que acaba se configurando em um tsunami antipetista. Os dois fatores, combinados, foram decisivos para a derrota do Partido dos Trabalhadores na eleição de 2018 — vencida, de modo surpreendente, por Jair Messias Bolsonaro. Agora, em outubro/novembro de 2022, a história tende a se repetir como verdade (e não como farsa, como previu Karl Marx, o “pai” do comunismo). É moral a maior dificuldade do personagem Lula, que foi um presidente que chegou a ter “86% de popularidade” e que “é o líder nas pesquisas”. A mancha da corrupção permanece colada nele. Lula foi “descondenado” em um supremo golpe interpretativo contra a soberania do Judiciário. Só que o processo não provou sua “inocência”. A maioria honesta do povo brasileiro rejeita quem seja ou pareça ligado à corrupção.

Na prática, soa como “fake” (mentira) o relançamento de Lula como candidato a presidente. Aliás, o fato ainda não foi confirmado oficialmente nem por ele. O PT promove um compreensível factoide. O partido não teve competência para gerar uma nova liderança com o mesmo brilho da “estrela” que disputou e perdeu várias eleições presidenciais, mas que venceu uma, se reelegeu e fez como sucessora Dilma Rousseff (que também foi reeleita, acabou derrubada por falta de articulação política e agora Lula tenta mantê-la silenciada ou em máxima distância de sua campanha). Além disso, Lula não deu uma prova objetiva de popularidade real, saindo às ruas e levando uma expressiva massa para ouvi-lo e segui-lo. Ao contrário do que acontece com Jair Bolsonaro. O tempo do petista passou de passagem… Haja propaganda para salvá-lo e reabilitá-lo, de verdade.

A presente “reinvenção” de Lula é uma grande mentira da politicagem brasileira. Ele só teve seus direitos políticos reabilitados pelo Supremo Tribunal Federal para fomentar uma polarização com Bolsonaro. O objetivo tático era provocar e induzir o atual presidente a um erro que permitisse seu impeachment ou deposição. Na realidade, Lula não é o candidato dos sonhos do establishment. A Oligarquia Feudal Tupiniquim usou dele enquanto interessou. Tanto que usou a Lava Jato para descartar o petismo, que seria substituído pelo retorno ao poder do PSDB, em 2018. Deu tudo errado. Faltou combinar com Jair Bolsonaro, que venceu a parada e tem tudo para ganhar de novo. Afinal, ele tem a máquina — que nunca perdeu uma reeleição desde que FHC a “inventou”. Ao reabilitar Lula, a esperança dos “donos do poder” era que surgisse a “terceira via” (e que fosse maior que ele e Bolsonaro). Até agora, não se viabilizou o inocente, ineficaz e ineficiente plano do Cebolinha contra a Mônica. E a fatal passagem do tempo não permite que Lula se sustente no mundo real. Qualquer idiota sabe que liderança em pesquisa não garante vitória eleitoral.

Estrategicamente, Lula também fez uma aposta errada. O chefe petista tinha a certeza de que “roubaria” (ops, tomaria) de Bolsonaro as principais lideranças do Centrão (aquele falso e inexistente “centro democrático”, que não passa de uma filial fisiológica da esquerda “estadodependente”). Os líderes do Centrão não traíram Bolsonaro para retomar o velho casamento que tiveram com Lula durante quase duas décadas, desde os tempos do inesquecível “Mensalão” (escândalo criminoso que acabou impune, na prática). O maior “golpe” que Bolsonaro aplicou em Lula foi impedir sua rearticulação política. Assim, Lula vem para a disputa apenas com apoio da decadente estrela esquerdista. Nada mais catastrófico e derrotista em um Brasil que, a cada dia, se descobre menos interessado em embarcar na farsa ideológica (ferramenta de otário).

Tudo isso, apesar do tribalismo exposto nas redes sociais, que produz a ilusão de que o conflito é ideológico. Não é! O eleitor quer resultado objetivo. O Auxílio Brasil de R$ 400 (recebido por 23% da população) tende a beneficiar Bolsonaro eleitoralmente. Muitos tendem esquecer do velho Bolsa Família, que pagava metade disso. A inevitável melhora econômica também é um fator que turbina Bolsonaro. Estrategicamente, o presidente associa a retomada do crescimento, apesar da pandemia, da crise hídrica e da guerra Rússia x Ucrânia, ao fato de não haver ou ter reduzido ao máximo a corrupção em seu governo. Esse fato objetivo agrava a imagem do PT — que ficou associada à “roubalheira”, principalmente a que ficou exposta pela Lava Jato & afins na gestão Dilma Rousseff, da qual Lula não consegue se descolar. É por isso que a petralhândia morre de medo das mudanças na Petrobras — o que ainda pode expor esquemas que sequer foram investigados e desmontados no atual governo. E olha que o “Petrolão” está fresco na memória da irada população honesta…

Mas o fator essencial para a inviabilidade política de Lula é que o eleitor quer “segurança” — que significa paz, legalidade, liberdade, ordem, progresso econômico e respeito aos valores individuais, familiares e religiosos. “Segurança” é o contrário de corrupção, palavra associada diretamente, de modo consolidado, a Lula e ao esquema nazicomunopetralha. “Segurança” é o contrário de crime, impunidade e injustiça. “Segurança” é o contrário de violência fora de controle, a serviço do narconegócio e seus tentáculos políticos. Por isso, através do voto, a maioria do povo deseja e tem tudo para dar um grande tapa na cabeça do “polvo” do Crime Institucionalizado. O mecanismo não deve morrer, mas vai tomar uma fortíssima pancada. A obrigação da maioria honesta é votar nos melhores representantes possíveis e fazer pressão para as reformas e mudanças estruturais imprescindíveis. O único jeito é “mais Brasil e menos Brasília”… Bandidos não podem voltar para a velha cena do crime.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.