Bolsonaro embarca de vez no Centrão em busca de sua reeleição em 2022

Martelo ainda não está batido, mas presidente deve se filiar ao Progressistas, partido com base em todos os municípios do país e estrutura para coordenar nova candidatura

  • Por José Maria Trindade
  • 23/07/2021 12h12 - Atualizado em 23/07/2021 21h49
Dida Sampaio - Estadão Conteúdo - 20/07/2021 O presidente Jair Bolsonaro está em negociação para disputar as eleições de 2022 pelo PP

O presidente Jair Bolsonaro monta a plataforma da reeleição. Como nas relações sociais, no Congresso os grupos de WhatsApp dominaram. Na lista do Centrão, apareceu a mensagem: “Bolsonaro entrou no grupo”. Mais do que uma “acomodação no Ministério”, como diz o ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente Jair Bolsonaro tenta montar a máquina política para 2022. Os profissionais foram chamados. O presidente deve voltar para o antigo ninho, o PP, e arrastar aliados para tornar o partido o maior do Congresso. O Patriotas admite que o presidente desistiu de se filiar. Uma deputada insistiu com Bolsonaro sobre para qual partido o grupo deverá migrar e não ouviu uma resposta objetiva. O projeto é PP. Na distribuição do superfundão eleitoral de quase R$ 6 bilhões, O Progressistas vai ficar com algo próximo de R$ 600 milhões, considerando os critérios de distribuição. Além disso, a legenda cresceu e tem bases em quase todos os municípios do país. A conclusão é de que agora a disputa será mais profissional.

Este acordo gera descontentamento entre aliados. É natural. Até o presidente demonstra contrariedade ao explicar o aprofundamento com a aliança: “Não é fácil sentar naquela cadeira”. Não é. Deputados próximos a Bolsonaro já anteciparam que, se for este o projeto, “todos seremos PP”. Só que a deputada que esperou duas horas na antessala para conseguir falar com o presidente saiu do palácio sem uma resposta, ou seja, ainda é cedo para assinar a ficha cadastral. O cuidado faz sentido. A estratégia é sentir a aliança, sondar o domínio do Progressistas e só depois partir para a filiação. O partido que o presidente escolher vai receber deputados e senadores em busca de reeleição. Estes acertos regionais são muito complicados e implicam em legendas estaduais que podem dificultar a reeleição do grupo presidencial, e este é o fator complicador.

O Progressistas é o PDS. Fundado em 1993, o PP teve a origem na fusão do PDS com o PDC. Foi criado o PPR, presidido pelo senador Espiridião Amin. No comando, estava Paulo Maluf, ex-prefeito de São Paulo, que se transformou em presidente de honra e nunca saiu da sigla, com origem lá na Arena — o maior partido do Ocidente, segundo marcou o ex-presidente do partido e ex-governador de Minas, Francelino Pereira. No programa, o Progressistas se define como centro-direita à direita. As mudanças do presidente Jair Bolsonaro levam o Centrão e os profissionais para o comando político do governo e, mais do que base no Congresso, ganha a pegada da experiência política. O entendimento é de que esta disputa pela reeleição não pode ser levada mais como candidatura avulsa, como foi a eleição. Terá que ser profissional até no financiamento. Agora como presidente, o candidato Bolsonaro terá que pagar as despesas do avião e seguranças quando se deslocar em campanha.

O presidente Jair Bolsonaro se assume como Centrão e alerta sobre o uso do nome de forma pejorativa, mas fala a  verdade. Ele foi do PP e do PTB. O projeto para filiação depende da reação dos líderes “como num casamento”, segundo traduz. A movimentação política está tão intensa que líderes se lançam aqui numa tentativa improvável: criar um grande partido governista. Seria a fusão de PP, DEM e PSL. Um partido que sairia com mais de 120 deputados e força política nacional. Uma ação política difícil de ser colocada em prática. Tudo indica que a velha coligação partidária vai funcionar mais uma vez. O ex-presidente Lula articula apoio de legendas organizando palanques regionais. O PP, PTB, PSL, Republicanos, DEM e outros menores já declaram aberto apoio à reeleição. Atualmente, 12 dos 22 partidos com representação no Congresso estão na base do governo. Como o MDB, que é governo, mas declara oposição para o ano que vem.