Ciclo de alta das commodities pode ganhar fôlego com piora do clima

Consultorias monitoram condições climáticas e efeitos no Brasil e Estados Unidos

  • Por Kellen Severo
  • 02/05/2022 10h00 - Atualizado em 02/05/2022 10h13
Loren King/Unsplash Plantadeira passa sobre vasto campo e joga poeira para todo lado Setor de máquinas deve entrar em 2022 com produção aquecida pelo recente boom das commodities

Os agricultores norte-americanos iniciaram o plantio da safra 22/23 há poucas semanas e os efeitos do clima nas lavouras já começam a ser monitorados pelo mercado. As lavouras de trigo de inverno também estão sentindo efeitos com apenas 28% do total em boas condições. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos apontou também atraso na semeadura do milho e da soja para o período. Há problemas em decorrência do tempo frio e excesso de umidade. A situação é mais delicada para o cereal, já que a oleaginosa tem janela mais alongada para plantio.

Um estudo da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, apontou que a perda da janela ideal do plantio que ocorre entre abril e maio tende a gerar redução do potencial  produtivo máximo das lavouras de milho, isso significa que há risco da oferta de grãos da safra ser menor do que o esperado. A Pátria Agronegócios divulgou comunicado aos clientes dizendo que apesar de as condições pós-plantio serem determinantes na produtividade final, fica claro que à medida que a janela atrasa crescem as expectativas de menor produção. E conclui dizendo que o mercado de milho tem tendência altista por conta dos baixos estoques mundiais,  alta demanda para exportação do grão brasileiro, risco para oferta norte-americana e redução da oferta da Ucrânia que é  um dos maiores exportadores mundiais e está em guerra.

A consultoria Terra Agronegócio destaca que o ciclo de alta das commodities agrícolas poderá ganhar novo fôlego se a produção norte-americana registrar perdas, mesmo que mínimas. Já a consultoria AgRural projeta que o primeiro semestre deste ano ainda será de preços altos, especialmente se os lockdowns na China continuarem e a guerra entre Rússia e Ucrânia também. Mas, está no radar da empresa uma correção esperada para 2023, que poderia ser antecipada para o segundo semestre de 2022 caso a safra americana venha cheia e a demanda seja reduzida por preços elevados ou problemas logísticos.

Tenho conversado com vários profissionais de diferentes consultorias e fica claro que não há unanimidade na hora de projetar o futuro dos preços de alimentos como soja e milho. As análises avaliam desde o cenário macroeconômico com riscos de recessão nos EUA e impactos da política de juros no mercado financeiro de commodities até o cenário político eleitoral aqui no Brasil que tende a gerar efeitos no câmbio e afetar a formação de preços. Por hora, somente uma sequência de safras fartas poderá frear o ciclo de alta de commodities que estamos acompanhando e se isso efetivamente vai acontecer, é cedo para dizer. Até lá os preços dos grãos seguem em um dos patamares mais altos da história.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.