Com oferta restrita, preço dos lácteos deve subir pelo menos até o fim do ano

Itaú BBA projeta repasse de alta de custo da indústria para consumidores

  • Por Kellen Severo
  • 12/07/2021 08h55
Couleur/Pixabay copo e jarra de leite Há anos, muitos produtores de leite no Brasil enfrentam desafios para se manter na atividade com margens positivas

Os altos custos de produção e as dificuldades climáticas reduziram a oferta de leite no Brasil. A pesquisa mensal do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP revelou uma disparada de 8% no preço pago ao produtor em junho com o litro negociado, em média, a R$ 2,20. O valor é 34,9% mais alto do que era visto em junho do ano passado. Com a escassez de matéria-prima, aumentou a disputa pelo produto. De acordo com projeções divulgadas pelo Itaú BBA, a indústria deverá repassar a alta de custos aos consumidores.  O banco prevê que diante da oferta restrita, os lácteos podem ter alta de preço pelo menos até o último trimestre deste ano.

O cenário, contudo, só não registrará altas mais robustas em função da demanda ainda fraca. Os altos preços desestimulam a demanda, que está frágil sem a presença do auxílio emergencial mais robusto como foi o de 2020. A previsão do Itaú é que o ritmo de produção de leite no Brasil se mantenha mais contido também em função da firmeza do preço do boi e da vaca, o que faz o produtor ficar sensível à possibilidade de reduzir o rebanho. Ao fazer isso, o efeito na oferta de leite também é negativo. Há anos, muitos produtores de leite no Brasil enfrentam desafios para se manter na atividade com margens positivas. A alta de preço no litro vista em junho trouxe alívio, mas não resolveu o problema financeiro de muitos agricultores. O custo alto, o desafio da seca e a crise financeira seguirão no radar e agora entrarão na conta dos consumidores também, que deverão pagar mais para garantir o leite na mesa.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.