Escalada de juros limita crédito no agro

Tesouro Nacional suspendeu até o fim de fevereiro financiamentos com recursos equalizados

  • Por Kellen Severo
  • 09/02/2022 12h19
Pixabay máquina agrícola jogando produto em terra Contratações de crédito rural estão com forte crescimento, com R$ 174 bilhões acessados entre julho de 2021 e janeiro de 2022

A secretaria do Tesouro Nacional suspendeu até o fim de fevereiro a contratação de crédito rural subsidiado nas linhas do Plano Safra 21/22. Segundo o governo, a alta de juros da economia brasileira elevou os gastos com a equalização das taxas nas operações de financiamento e gerou um esgotamento de recursos. A escalada de juros  limita a disponibilidade de crédito no agronegócio, já que é necessário um orçamento maior para pagar o diferencial entre a taxa de juros mais alta em vigor e a subsidiada em menor patamar. O problema deve continuar ao longo dos próximos meses, já que a perspectiva é que a Selic continue a subir.

A taxa básica hoje está em 10,75% e deve fechar o ano em 11,75%, de acordo com projeções da pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta semana. No entanto, economistas do mercado não descartam alta adicional e juros acima de 12%. O governo já começou a trabalhar na formulação do próximo Plano Safra e afirma que será um ano com desafios, já que o aumento da Selic eleva a necessidade de recursos para manter os juros controlados, ou seja, com subvenção da União.

As contratações de crédito rural estão com forte crescimento, alta de 31%, com R$ 174 bilhões acessados entre julho de 2021 e janeiro de 2022. E é esperado que o movimento de busca por crédito continue acelerado, já que a intenção de agricultores é acessar o recurso barato, que tem juros entre 3% e 8,5% nas atuais condições do Plano Safra. Com a suspensão dos empréstimos anunciada pelo Tesouro ficam evidentes dois cenários adversos no radar para o setor agro: aumento no custo do dinheiro e escassez de recursos.

O governo informou que está realizando negociações para superar as dificuldades orçamentárias e retomar a oferta de crédito com juro controlado o mais breve possível. O setor tem pressa para que esse contratempo seja solucionado, já que há ainda R$ 27,5 bilhões disponíveis em relação aos recursos equalizados pelo Tesouro Nacional do Plano Safra 21/22. A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura pediu ao governo, por meio de nota, que as linhas de crédito sejam imediatamente restabelecidas para que produtores familiares possam fazer os financiamentos de suas atividades. A entidade também cobrou empenho do Ministério da Agricultura na busca por recursos para atender a demanda emergencial em função da seca na região Sul e das enchentes em outras regiões. Os sinais são claros, falta orçamento para garantir crédito barato aos produtores dos alimentos.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.