Exclusivo: CNA quer R$ 22 bilhões do governo para subsidiar juros do Plano Safra 22/23

Volume de recursos é 69% maior e necessidade vem da alta dos custos e Selic

  • Por Kellen Severo
  • 06/05/2022 10h00
Dirceu Portugal/Fotorena/Estadão Conteúdo21/02/2022 - Trator realiza colheita de soja em propriedade rural Volume representa um aumento de 69% em comparação com os R$ 13 bilhões do plano em vigor

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) quer que o governo disponibilize R$ 22 bilhões para a equalização dos juros do Plano Safra 22/23, programa do governo que destina recursos para custeio e investimento da agropecuária. O volume representa um aumento de 69% em comparação com os R$ 13 bilhões do plano em vigor. A entidade explica que a maior necessidade de recursos para equalizar os juros controlados vem de um cenário de alta da Selic e de elevação no custo de produção, que chegou a 50% em algumas cadeias.

E de onde virão os R$ 22 bilhões para subvenção de taxa de juros? O diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, me disse que hoje a dificuldade é buscar o orçamento para compor esse volume de dinheiro. A entidade, inclusive, propõe uma discussão sobre alterar a lei do teto de gastos e criar um regime de exceção para emergência de segurança alimentar. A defesa é de uma política pública que seja direcionada para aumentar a oferta de alimentos e reduzir a inflação.

Está certa a CNA quando diz que não adianta o Ministério da Economia no ano que vem chegar e falar que o preço do alimento está caro e zerar a tarifa de importação,como foi feito recentemente para alguns produtos. A medida tem que ser preventiva e a decisão tem que ser tomada agora no crédito rural do Plano Safra 22/23. A agropecuária é estratégica e precisa ser tratada como prioridade dentro do governo. O acesso a juros competitivos favorece a produção de alimentos em um cenário de custos historicamente altos, escassez de fertilizantes, guerra no leste europeu, lockdowns na China e inflação global elevada. Investir no agro é investir em segurança alimentar.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.