Exclusivo: Petrobras discute hoje venda de fábrica de fertilizantes

Governador de Mato Grosso do Sul terá reunião com presidente da estatal no RJ

  • Por Kellen Severo
  • 11/05/2022 09h27
Tânia Rêgo/Agência Brasil Fachada da Petrobras escrito em prata em uma placa Petrobras discute venda de fábrica de fertilizantes nesta quarta

A Petrobras deve discutir na tarde desta quarta-feira, 11 a venda da fábrica de fertilizantes de Três Lagoas (MS) com o governador do estado, Reinaldo Azambuja. Em entrevista exclusiva ao Hora H do Agro, Azambuja comentou que existem compradores nacionais e internacionais interessados na unidade de nitrogenados e que o objetivo do encontro com o presidente da estatal, José Mauro Ferreira Coelho, é pedir a antecipação da divulgação do novo edital. Confira a conversa completa que tive com o governador: 

Qual foi o problema no plano de negócios da empresa russa Acron que impossibilitou a venda da unidade de fertilizantes de Três Lagoas pela Petrobras? Nós tivemos uma reunião já com a Petrobras anteriormente, antes dos russos, colocamos a eles que qual fosse a empresa interessada na compra da UFN3 da Petrobras, nós faríamos a extensão dos benefícios fiscais que foram dados em 2012 à Petrobras ao comprador. A Acron veio, se mostrou interessada, mas eles não tinham uma proposta de concluir a empresa de fertilizantes, eles queriam montar naquela localidade uma misturadora, misturar adubo, trazer matéria-prima da Rússia e fazer a mistura. Nós dissemos a ele que esse não era o objetivo, que se fosse para montar uma misturadora, nós poderíamos fazer tratativa própria, mas para continuar os mesmos benefícios fiscais que foram dados à Petrobras, nós queríamos a segurança de terminar a fábrica e o Mato Grosso do Sul passar a ser produtor de fertilizantes nitrogenados. Aí, levamos isso, fizemos uma nota técnica, encaminhamos à Acron e à Petrobras e eles resolveram romper, até porque eles não tinham interesse em concluir a unidade e sim montar uma misturadora.

Já há novos interessados nesta unidade? Hoje existem alguns players tanto nacionais como internacionais interessados na planta da Petrobras. Estarei com o novo presidente da Petrobras nesta quarta-feira, às 14h, no Rio de Janeiro. Eles fizeram uma nota técnica que iam fazer um edital e concluir esse processo até o primeiro semestre de 2023. O que nós vamos levar para eles como sugestão é que como existem vários interessados que já nos procuraram aqui no Mato Grosso do Sul para saber se eles adquirirem da Petrobras o Estado manteria os benefícios fiscais, se a prefeitura de Três Lagoas manteria os mesmo benefícios, eu vou pedir ao presidente da Petrobras que antecipe esse cronograma. Como há um grande interesse de players nacionais e internacionais, tem um olhar que despertou de produzir fertilizantes nitrogenados em Três Lagoas, estamos vivendo um bom momento para Petrobras colocar as condições do novo edital e não tenho dúvida que terão interessados em adquirir a fábrica, em concluir. Da parte do Estado do Mato Grosso do Sul, os mesmos benefícios dados à Petrobras serão extensivos à empresa compradora, desde que nós tenhamos a garantia que eles vão concluir a planta e produzir 2,3 milhões de toneladas de ureia, nitrato e sulfato de amônia, que é o que estava previsto no termo de acordo inicial assinado pelo ex-governador, há mais de 10 anos. É algo que o Estado tem muito interesse.

Qual a capacidade de produção projetada para a unidade de fertilizantes? O total previsto na unidade quando ela estiver funcionando com total capacidade é produzir de 2,3 a 2,5 milhões de toneladas de fertilizantes, é uma produção que abasteceria o mercado do Centro-Oeste, não só do Mato Grosso do Sul, mas de Mato Grosso e Goiás também. Foi pensado em Três Lagoas, pois temos um ponto de conexão com a malha paulista, a Ferronorte e com as rodovias que cortam os eixos principais, que são as BRs 262 e 163 a Mato Grosso. Estamos a praticamente 280 km da divisa com Goiás, a 70 km de Três Lagoas temos um ponto de conexão com a Ferronorte, inclusive com terminais. Então tem uma logística muito boa para a distribuição desses fertilizantes e a fábrica fica às margens do rio Paraná, que pode usar a Hidrovia Paraná-Tietê, na Usina de Jupiá já temos uma eclusa e, passando por ela, você entra no canal de Pereira Barreto, na Hidrovia Tietê-Paraná.

Quais são os benefícios que a empresa que adquirir a unidade terá? Você tem um grande benefício na saída do produto industrializado, você sai praticamente com a redução de carga tributária, que é o ICMS que incidiria sobre a produção, você tem um grande benefício para importação de insumos, matérias-primas e, principalmente, equipamentos. Todos os equipamentos que são importados vêm com diferimento, zero de ICMS, então já é um grande benefício. Para você ter ideia, o que já foi utilizado de benefício pela Petrobras nos equipamentos importados, porque ela não começou a produzir, totaliza mais de R$ 230 milhões, o imposto que o Estado abriu mão sobre equipamentos e importação dos similares que já estão colocados na planta, o Estado abriu mão de R$ 230 milhões. Então temos grande benefício na saída do produto industrializado, na entrada da matéria-prima, das máquinas e equipamentos para concretizar o empreendimento e diferencial de alíquota que torna muito competitiva a planta. Com certeza o adquirente vai pedir os mesmos benefícios e nós vamos dar, desde que vinculado ao término da planta e produção dos fertilizantes nitrogenados.

Quando você acha que os agricultores estarão desfrutando desse adubo produzido na região? Se conseguirmos convencer o presidente da Petrobras e a sua equipe a antecipar o cronograma do edital – como nós temos empresas interessadas, temos uma disputa, um leilão, aquele que for o adquirente de todo aquele benefício, que é a planta da UFN3 que a Petrobras está colocando a venda, eu acho que após a assinatura do contrato, se conseguir finalizar todas as tratativas no ano de 2022, eu acredito que dentro de um ano e meio nós podemos dizer, após assinatura de contratos e finalização das transações comerciais, acho que nós podemos concretizar a fábrica e aí sim passar a ser produtor de fertilizantes nitrogenados. Acredito que seria concretizado o negócio em 2022, no segundo semestre de 2024 eu acredito que o Mato Grosso do Sul poderia ser produtor desses fertilizantes na planta de Três Lagoas.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.