Morto nesta quinta, Alysson Paolinelli é um ícone da agricultura brasileira

Ex-ministro liderou a revolução do agro tropical, ajudou a levar infraestrutura e tecnologia para produzir alimentos no Cerrado e foi indicado para o Nobel da Paz

  • Por Kellen Severo
  • 30/06/2023 09h00
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO - 22/06/2021 ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli durante anúncio do Plano Safra 2021/2022, no Palácio do Planalto, em Brasília Alysson Paolinelli tinha 86 anos quando faleceu nesta quinta-feira, 29

O mundo se despediu nesta semana de um ícone da agricultura moderna: o brasileiro Alysson Paolinelli. Ex-ministro da Agricultura, ele deu origem a políticas públicas e programas que incentivaram a produção agrícola em áreas de terras pouco férteis que hoje se tornaram um oásis na produção de alimentos, como o Cerrado brasileiro. A revolução da agricultura tropical começou em 1975, com o Programa de Desenvolvimento dos Cerrados. Ele ajudou a levar infraestrutura e tecnologia para produzir alimentos na região onde não havia desenvolvimento. Implantou a Embrapa Cerrados, que impulsionou o grande salto da agricultura brasileira, com pesquisa e ciência para o agro.

O Cerrado ocupa mais de 20% do território brasileiro, com Estados como Goiás, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal. Só para ter uma ideia, com a revolução agrícola e a vida encontrada nos solos pobres em fertilidade, entre 1975 e 2020, a produção de grãos do Brasil cresceu 6,4 vezes, enquanto a área plantada apenas dobrou. Fruto do trabalho que Alysson protagonizou.

Alysson Paolinelli tinha 86 anos quando faleceu nesta quinta-feira, 29. Lembro bem das últimas vezes que nos encontramos para um evento presencial no interior do Brasil. Ele estava em uma cadeira de rodas, pelas dificuldades de mobilidade associados à idade, mas esbanjava carisma e gentileza. Nossos últimos encontros foram em conferências online e, apesar do cansaço que se mostrava aparente, ele tinha uma clareza de raciocínio, uma visão limpa sobre o futuro da produção de alimentos e do papel do Brasil.

Paolinelli ajudou a aumentar demais a produção de comida e por isso foi indicado duas vezes para o prêmio Nobel da Paz. O agro prestou várias homenagens em vida para ele. Fico feliz em saber que ele se despediu desse plano sabendo o quanto era querido e admirado pelos brasileiros, pela sua gente e de todo o mundo. Quem constrói um legado como o de Alysson se torna imortal.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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