No debate de sustentabilidade, o Brasil é uma potência agroambiental

Em discurso na Cúpula do Clima nesta quinta-feira, Bolsonaro falou em revolução verde no campo e avanços da agricultura brasileira

  • Por Kellen Severo
  • 23/04/2021 10h45
DIRCEU PORTUGAL/FTA/ESTADÃO CONTEÚDOProdução agrícola brasileira é feita sob regras que preveem a manutenção de 20% a 80% do bioma, dependendo da região

Nesta semana, na Cúpula do Clima, líderes de várias nações se comprometeram a adotar medidas que contribuam com a diminuição do aquecimento global. Brasil, China e Estados Unidos, por exemplo, apresentaram metas de redução de emissão de carbono nos próximos anos. No encontro, o presidente Jair Bolsonaro citou que há no campo uma revolução verde e destacou os avanços da agricultura brasileira. Fez bem em chamar atenção para algumas das conquistas e dos resultados já observados no dia a dia da agricultura tropical praticada aqui. Mesmo que haja muito para avançar, é sempre bom lembrar que no debate de sustentabilidade o Brasil já é uma potência agroambiental, que mantém 66% da área total preservada, de acordo com dados da Embrapa confirmados pela Nasa.

A informação transparente sobre as boas práticas adotadas no setor contribui para melhorar a imagem do país e para fortalecer a marca Brasil aqui e no exterior. Além da Amazônia, um ativo que é grande diferencial do Brasil, é bom saber que temos estoque de vegetação dentro da propriedade privada. Isso porque a produção agrícola brasileira é feita sob regras que preveem a manutenção de 20% a 80% do bioma a depender da região do país. A pecuária hoje consegue produzir carne carbono neutro, ou seja, através de um sistema que integra Pecuária, Lavoura e Floresta, as emissões são zeradas. Nas área de lavoura, a produção no país cresce sem precisar desmatar, porque o trabalho é feito em área de pastagem degradada. O país também é destaque em energia renovável, tratamento de dejetos e assim por diante.

Todos esses são resultados já comprovados e que precisam ser levados em consideração. Eles importam tanto quanto os novos compromissos assumidos. Eles contribuem para revelar que já existem ações e estratégias em curso com ganhos efetivos de sustentabilidade. Para que o país vire um dos maiores protagonistas do agro mundial em 2030 vai ser preciso comunicar mais e melhor os resultados alcançados por aqui. Será preciso gerar dados, análises e informações com transparência e precisão para que a percepção que os nossos clientes têm sobre a marca Brasil melhore. Usar palcos como a Cúpula do Clima para isso é, sim, um bom começo.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.