Sri Lanka colapsa com erro em política agrícola

Governo quis tornar agro do país 100% orgânico e baniu fertilizantes e agroquímicos; medida contribuiu para inflação dos alimentos subir 80% em 12 meses

  • Por Kellen Severo
  • 13/07/2022 09h00
EFE/EPA/CHAMILA KARUNARATHNE Manifestantes na residência oficial do presidente Manifestantes invadiram residência oficial do presidente do Sri Lanka no último dia 9

As imagens de manifestantes invadindo a residência oficial do presidente do Sri Lanka nos últimos dias chamaram a atenção do mundo. O país, localizado próximo do sul da Índia, passa pela pior crise desde a independência e os protestos refletem diversos problemas na condução do governo, entre eles um erro estratégico na política agrícola. O resultado dessa situação foi a renúncia e tentativa de fuga do próprio presidente. O erro grave do governo foi  proibir a importação de fertilizantes e agroquímicos no ano passado com o objetivo de tornar o país o primeiro do mundo a ter uma produção totalmente orgânica. Além disso, o Sri Lanka também enfrenta outros desafios econômicos, que foram aprofundados pela pandemia da Covid-19, afetando também o turismo na região.

A mudança repentina na política agrícola surpreendeu os agricultores, que foram às ruas e protestaram durante meses contra a medida. Apesar de o governo ter voltado atrás da decisão, pouco produto efetivamente chegou às lavouras e o resultado foi uma queda de 40% na produção de arroz da temporada de setembro a março, também prejudicada por problemas climáticos, e alta na inflação dos alimentos, que chegou a atingir 80% em doze meses. As medidas adotadas no Sri Lanka geraram restrição da oferta, elevação do preço dos alimentos e até uma crise alimentar, que levou ao caos que estamos vendo atualmente no país do sul asiático. Há lições importantes que podemos aprender com esse colapso no Sri Lanka. A agricultura moderna pode, sim, conviver com a orgânica, mas obrigar um país a se tornar repentinamente 100% orgânico não funciona. Que o Brasil observe os erros desses governos e não os repita.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.