A amizade entre Trump e Putin chegou ao fim?
No primeiro mandato de Donald Trump, muitos foram os protocolos quebrados e muitas novidades surgiram no cenário político após o viver em redes sociais e o ato de governar uma nação se tornarem ações indistinguíveis. O carisma de Trump foi uma de suas principais qualidades para ser eleito, mas sua fama de duro negociador se tornou um de seus principais atributos ao lidar com outros países poderosos. Unindo quebra de protocolo com a habilidade de falar de maneira áspera, a amizade forjada entre Trump e Vladimir Putin causou surpresa inicial aos seus críticos e admiradores.
Comandando a Rússia há quase três décadas, Putin não se deixou levar pelos elogios concedidos por Trump à sua pessoa, mas também não desperdiçou a oportunidade para estreitar laços com o inimigo histórico do país onde nasceu e que teve diante de seus olhos, seu fim. A boa relação foi instrumentalizada por críticos como uma maneira de buscar evidências para uma suposta interferência russa no pleito de 2016, enquanto foi utilizada pelos adeptos do MAGA como exemplo da capacidade de Donald Trump em dialogar com os homens fortes do mundo.
Após perder as eleições presidenciais de 2020 e assistir à invasão russa da Ucrânia sem cum cargo eletivo, Trump repetidamente culpou a administração incumbente de Joe Biden pelo fracasso em negociar com a Rússia, argumentando que caso fosse ele o presidente, Putin jamais teria seguido adiante com a guerra. A maneira apologética como tratou a violação da soberania ucraniana pelos três anos de conflito em que esteve fora da Casa Branca, ressaltou para muitos analistas e para a comunidade internacional que a amizade pavimentada com o líder russo entre 2017-2021 era algo que Trump buscava preservar com o intuito de se beneficiar no futuro em possíveis negociações diplomáticas ao retornar aos holofotes. Na ocasião da campanha eleitoral de 2024, o então candidato republicano prometeu que acabaria com a violenta guerra no Leste Europeu em 24 horas, com apenas alguns telefonemas. Hoje, quase sete meses depois de ser empossado como 47° presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se vê ainda muito distante de costurar a paz entre Moscou e Kiev.
O ultimato dado à Rússia gerou mais manchetes no Ocidente que nos telejornais russos. Ameaças de tarifas exorbitantes ao país mais sancionado do mundo parece não ter o mesmo tom ameaçador que tem em Brasília ou Bruxelas. Nesse contexto, detalhes de bastidores e informações sigilosas de conversas telefônicas entre Trump e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky revelam a crescente frustração do magnata norte-americano em não conseguir persuadir Vladmir Putin e até mesmo questionamentos sobre ações militares mais concretas nas duas maiores cidades da Rússia.
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A relação afetuosa entre Trump e Putin nasceu pelo perfil parecido de homens que defendem o conservadorismo e que supostamente governam inteiramente pelo bem maior de suas respectivas nações. Contudo, o pragmatismo russo, encontrado em meios sorrisos fleumáticos durante tratativas das mais complexas, parece ter iludido o presidente norte-americano sobre seu real poder em Moscou. Por hora, a situação parece não caminhar para além daquilo que nos mostrou o status quo de uma guerra lenta e extremamente letal. Todavia, não se pode menosprezar as possibilidades ainda nas mãos de Donald Trump para alcançar objetivos ainda não muito claros.
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